Há um ano, julho chegou

Inaldo Araújo

Há um ano, chegou um julho que não queríamos que chegasse. E, desde então, há um silêncio que não se desfaz. Saudade é isso: um vento manso que parece soprar de dentro, que queima sem alarde e que insiste em nos lembrar do que foi bonito. A chama, felizmente, continua acesa — o fogo deixou semente.

O coração do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) bate forte, mas com aquele compasso de quem sente a ausência de alguém especial. Sempre que penso nisso, volto à lembrança dos 25 anos em que trabalhei ao lado do conselheiro Antonio Honorato. Foi o tempo suficiente para transformar a convivência profissional em amizade, o respeito em admiração e o cotidiano do Tribunal em uma memória que continua viva, mesmo depois de sua aposentadoria.

Conselheiro Honorato entrou para a história do TCE-BA com o nome dos raros — daqueles que, como dizia Mãe Stella de Oxóssi, o vento não apaga, porque foi escrito com integridade, compromisso e sabedoria. Sua trajetória foi triunfante.

Talvez o tempo tenha apenas mudado o uniforme, não o jogador. Porque quem nasce com o dom de servir, de somar e de inspirar, não se aposenta — apenas muda de campo. Hoje ele joga na arena das lembranças, onde cada gesto, cada voto, cada palavra dita com serenidade continua a ecoar entre nós, como um hino discreto à ética e ao amor pelo serviço público.

Hoje, o campo é outro, mas o jogo continua. E nós, seus companheiros de tantas partidas, viemos celebrar este primeiro aniversário da sua aposentadoria — ou melhor, do seu novo campeonato. Porque ele pode até ter pendurado as chuteiras da vida pública, mas continua jogando bonito na vida pessoal.

Faz falta, sim, no plenário do TCE-BA, tanto nas discussões, nas ideias, no humor fino e quanto nas pausas cheias de significado. Ainda escutamos seu jeito sereno de falar e sua risada que desarmava qualquer tensão. Era o tipo de liderança que não se impunha pela voz, mas pelo exemplo.

E é por isso que, mesmo ausente, permanece presente — como aquelas melodias que, mesmo quando cessam, continuam a vibrar no ar. Cada servidor do TCE-BA que lê seu nome nas páginas da nossa história entende que há formas de permanência que dispensam o tempo.

Aposentou-se do TCE-BA um grande conselheiro, mas sempre teremos ativo um craque das contas. Ficamos com as lembranças das vitórias compartilhadas — nas sessões, nas conversas de corredor, nos sonhos de uma Corte cada vez mais humana e moderna.

Sim, julho chegou outra vez. E com ele, a certeza de que há ausências que nunca se tornam distância. A história de Honorato está escrita, e nela há uma marca de gratidão coletiva.

O conselheiro Honorato terá sempre o nosso respeito, o nosso carinho — e a certeza de que o seu legado continua a inspirar quem veste a camisa do TCE-BA todos os dias.

Inaldo Araújo é conselheiro do TCE-BA e presidente do Instituto Rui Barbosa (IRB)