IV CNCTC: Ministra Edilene Lôbo defende comunicação baseada na verdade para fortalecer a democracia

“Vivemos um tempo de encruzilhada do mundo ultratecnologizado. A comunicação é poder, e todos nós somos comunicadores. Tudo o que falamos, escrevemos ou compartilhamos comunica e pode ampliar desigualdades ou fortalecer a democracia”. Foi com essa reflexão que a ministra substituta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Edilene Lôbo abriu a primeira palestra do IV Congresso Nacional de Comunicação dos Tribunais de Contas (CNCTC), nesta segunda-feira (3), em Ouro Preto (MG). Ao abordar os desafios da comunicação pública em um cenário de intensa transformação tecnológica e desordem informacional, a ministra defendeu que a sobrevivência das instituições democráticas depende da construção de confiança baseada na verdade e no compromisso com a realidade.

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Para ela, a comunicação pública precisa deixar de ser apenas um instrumento de divulgação institucional para se tornar um mecanismo de aproximação entre Estado e sociedade. “As instituições são serventes da sociedade. Precisam servir, estar próximas das pessoas e compreender que confiança só existe quando há autenticidade e verdade.”

Ao longo do encontro, conduzido em formato de perguntas enviadas pelo público e mediado pelo jornalista Zu Moreira, Edilene Lôbo costurou reflexões sobre democracia, representatividade e os desafios impostos pela inteligência artificial e pela desinformação. Em suas respostas, defendeu que comunicar é também um ato de responsabilidade constitucional e que a preservação do ambiente democrático depende do compromisso coletivo com informações verdadeiras. “Não há confiança sem verdade. O principal ativo das instituições é a confiança, e ela passa por um pacto em defesa da realidade autêntica e pelo enfrentamento às desigualdades”, destacou.

A ministra também defendeu que representatividade não pode ser reduzida a uma imagem simbólica. Segundo ela, a comunicação deve refletir a diversidade da sociedade brasileira e contribuir para aproximar as instituições da população. “Representatividade precisa ser o cumprimento do projeto político-constitucional de transformação.”

Respondendo às perguntas do público, Edilene Lôbo abordou ainda os impactos da inteligência artificial na comunicação institucional e alertou para os riscos da produção de conteúdos sem compromisso com a verdade. Para ela, as novas tecnologias devem estar a serviço das pessoas e não substituir o olhar humano na construção da informação. Ao encerrar a palestra, a ministra propôs um pacto em defesa da democracia e da comunicação responsável. “Quero fazer um voto pela democracia brasileira: comunicar com respeito à realidade autêntica, comunicar de forma não racista, não violenta e construir, desde agora, o futuro que queremos viver”, concluiu.

O mediador Zu Moreira destacou que a comunicação pública deve ampliar a presença das diferentes vozes da sociedade e contribuir para que mais pessoas se reconheçam nas políticas públicas e nas instituições. “Não é dar voz às pessoas. As pessoas já têm voz. O papel da comunicação é ampliar essa voz. Quanto mais diversidade, representatividade e inclusão houver na forma de comunicar, mais democrática será a sociedade”, afirmou.

IV CNCTC

O IV Congresso de Comunicação dos Tribunais de Contas (CNCTC) ocorre na histórica cidade de Ouro Preto (MG) nos dias 3 e 4 de agosto. O evento é realizado pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) em parceria com a Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) e o Instituto Rui Barbosa (IRB). O IV CNCTC tem patrocínio da Prefeitura Municipal de Nova Lima (MG) e apoio da Abracom, Audicon, Conselho Nacional de Presidentes dos TCs, Asur e Prefeitura de Ouro Preto.

Texto: Flávia Rezende (TCE-AM)
Edição Jeferson Cioatto (TCE-SC)