Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Agenda do Controle

Auditoria no Auxílio Brasil constata desvio do público-alvo do programa

O TCU fez auditoria no Programa Auxílio Brasil (PAB) para avaliar aspectos relacionados a focalização, equidade e custo-efetividade, e aos desafios enfrentados na sua implementação. A focalização relaciona-se com o destinatário dos recursos. Entre os problemas de focalização apontados está o possível pagamento indevido a milhões de famílias em 2022. A situação deve perdurar até que se regularize a retomada das averiguações e revisões cadastrais no CadÚnico e o cancelamento dos eventuais benefícios concedidos irregularmente. A inclusão indevida de 3,5 milhões famílias como estimada para o período de outubro de 2022, por exemplo, poderia gerar pagamentos irregulares de mais de R$ 2 bilhões a cada mês.

A auditoria constatou também redução de equidade de recebimentos entre as famílias em decorrência da adoção do benefício extraordinário e, posteriormente, do benefício complementar. O desenho do programa incentivou declarações inverídicas sobre composição familiar, com a fragmentação de famílias para que cada fragmento recebesse os R$ 600,00 mínimos. Ou seja, a maior parte dos novos gastos orçamentários foi direcionada a pessoas que moram sozinhas e não ao público prioritário do PAB, que são crianças e adolescentes.

Por fim, o trabalho verificou aumento do custo-efetividade no combate à pobreza, quando comparados o PAB com o antigo Bolsa Família. Isso porque para reduzir 1 ponto percentual do hiato de pobreza o Auxílio Brasil precisa de R$ 1,72 bilhão por mês, enquanto o Bolsa Família necessitaria de apenas R$ 1,43 bilhão.

O volume de recursos fiscalizados pela auditoria do PAB foi da ordem de R$ 114,2 bilhões projetados até o fim de 2022. Para 2023, mantidas as condições atuais, o programa consumirá cerca de R$ 153,8 bilhões do Orçamento-Geral da União.

A partir desta avaliação do PAB e de comparações com o antigo Bolsa Família, há a possibilidade de o Tribunal contribuir para o melhor desempenho da política de transferência de renda. O TCU fez recomendações ao Ministério da Cidadania.

A unidade técnica do TCU responsável pela fiscalização foi a Secretaria de Controle Externo da Previdência, do Trabalho e da Assistência Social. O relator do processo é o ministro-substituto Augusto Sherman Cavalcanti.

Fonte: TCU

Mais recentes

MMDi-TC avança para fase de validação prática após treinamento em Minas Gerais

TCE-SC atua de forma preventiva e orienta gestores municipais sobre contratações emergenciais

Lançamento de guia sobre contratações de publicidade integra programação do Congresso da ABCPública

Inep recebe solicitação de cronograma para execução de acordo sobre dados educacionais

Atricon — Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Portaria 65/2026

Leia também

MMDi-TC avança para fase de validação prática após treinamento em Minas Gerais

Encontro reuniu representantes dos Tribunais de Contas para testar a nova metodologia e preparar o início do projeto piloto, etapa decisiva para o ciclo de 2027

TCE-SC atua de forma preventiva e orienta gestores municipais sobre contratações emergenciais

A intenção é subsidiar os gestores públicos na tomada de decisões seguras e transparentes frente a cenários de risco. 

Lançamento de guia sobre contratações de publicidade integra programação do Congresso da ABCPública

Com 54 páginas, a publicação reúne orientações técnicas e recomendações para qualificar o planejamento, a execução, a fiscalização e a avaliação das campanhas publicitárias realizadas pelo setor público.