Meu primeiro ano, que não é tão primeiro assim

Inaldo da Paixão Santos Araújo

Escrevo este artigo para tecer algumas considerações a quem me acompanha – não que eu seja, e nem pretendo ser, um desses influenciadores das mídias sociais. Refiro-me aos amigos leitores que, em meio aos seus afazeres, encontram alguns minutos para ler os contos deste homem das Contas que, semanalmente, também se aventura na escrita.

Os meus fiéis (leitores, por óbvio) sabem que, certa feita, contei sobre minhas primeiras sensações ao “idosear”. Confesso-lhes que ainda estou a me acostumar com essa nova fase da minha vida. Mas prossigo.

Ah, Inaldo! Quer dizer que alcançar a “terceira idade” apresenta apenas aflições? Apresso-me em afirmar que não. O estacionamento com certo privilégio e a fila de prioridade ao embarcarmos em uma dessas aeronaves que cruzam os céus pelos quatro cantos do mundo têm lá os seus benefícios. Claro que estou a brincar.

Fazendo uma breve retrospectiva deste meu primeiro ano no “grupo dos 60+”, como o próprio título sugere, pouca coisa mudou. Apesar da rotina que nos cansa – mas que, ao final, vale a pena –, pude, com a graça e a permissão do Pai, exercer minha messe no Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE/BA).

Sim, seja no julgamento de contas na Casa de Auditoria ou em palestras, aqui ou alhures, procurei, dentro da minha modesta contribuição, fazer com que – assim espero – o povo desta terra não conviva com tanta desigualdade.

Ao refletir sobre a injustiça que insiste em nos assolar, relembro momentos prazerosos que desfrutei na companhia do meu neto, José Victor, nesses 365 dias. É bem verdade que, por causa das obrigações, acabei ficando alguns períodos longe dele — embora a tecnologia tenha permitido que permanecêssemos próximos, mesmo à distância.

Suas descobertas, de algum modo, também foram as minhas. Não me esqueço do “Tutu” e do “Ti” que aprendi com ele. Como as mudas que plantamos, oro para que ele cresça firme no propósito que está por construir e que seja sempre uma pessoa justa. Seu avô, mesmo diante das adversidades que a idade poderá impor, estará sempre a apoiá-lo.

Entre uma linha e outra, vejo no celular uma notificação do aplicativo de mensagens informando-me que, no grupo da equipe do meu gabinete – gentilmente a nós cedido pelos cidadãos baianos – há mais um processo apto e pronto para julgamento. É mais uma oportunidade de darmos transparência à sociedade quanto à destinação dos recursos públicos.

Já que estou a recordar acontecimentos deste último ano, lembro-me também, de imediato, das comemorações pelos 110 anos da Casa do Cidadão – como carinhosamente aprendi a chamar o TCE/BA. Caminhando para quase quatro décadas no controle público, passa-me um filme das transformações físicas e institucionais que o Tribunal vivenciou. Em uma breve descrição, poderia dizer (ou, neste caso, escrever) que ele passou do fogo do incêndio que o atingiu às chamas da perseverança e do respeito pelas quais a instituição é reconhecida. Tempos distintos.

O ano de 2025 também me impôs a necessidade da despedida. O conselheiro dos conselheiros, amigo de uma vida, Antonio Honorato, aposentou-se do ofício de julgar contas. Homem público, mas muito reservado, ensinou — e continua ensinando — que não precisamos de muitas palavras para dizer tudo. Objetividade e simplicidade são a chave.

Por fim, embora não por último — já que este é apenas o início —, menciono a eleição para a composição da Diretoria e do Conselho Fiscal do Instituto Rui Barbosa (IRB), referente ao biênio 2026/2027, na qual tive a honra de ser eleito presidente dessa instituição. Agradeço, por oportuno, com muita humildade, a todos aqueles que depositaram sua confiança em mim e na nossa chapa. Em especial, rendo meus agradecimentos ao conselheiro Edilberto Pontes, atual presidente do IRB e também eleito vice-presidente de Ensino, Pesquisa e Extensão para o próximo biênio, pelo apoio e por sua louvável gestão nos biênios anteriores (2022/2023 e 2024/2025). Tenho plena consciência da responsabilidade que assumo em dar continuidade a uma gestão tão exitosa quanto a sua. Comprometo-me a dedicar o melhor de meus esforços para que a Casa do Conhecimento dos Tribunais de Contas do Brasil continue a avançar.

Sendo assim, entre um ineditismo e outras ações repetitivas, sigo nos meus misteres. Mesmo sem o vigor de outrora, percebo que ainda me mantenho motivado — e sei que isso é, de fato, o que mais importa. Peço a Deus que me conceda forças para continuar.

Com a bênção divina, inicio um novo ano. Enquanto assim Ele permitir, escrevo-lhes para compartilhar um pouco de mim. Quem sabe não trago mais novidades nesse segundo ano do meu “idosear”.

Inaldo da Paixão é conselheiro do TCE-BA e presidente eleito do Instituto Rui Barbosa (IRB)