Os riscos cada vez mais próximos de colapso dos ecossistemas estiveram no centro da primeira palestra técnica da programação do V Congresso Ambiental dos Tribunais de Contas (CATC), realizada nesta terça-feira (23). Com o tema “Diagnósticos dos Riscos Climáticos e a Urgência da Proteção Ecossistêmica: cenário global e impactos no Brasil”, a atividade foi conduzida pelo cientista climático Carlos Nobre e teve mediação do conselheiro do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM), Júlio Pinheiro, presidente do Comitê Técnico de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Instituto Rui Barbosa (IRB).
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Carlos Nobre destacou que o mundo já vive uma emergência climática e alertou para a rápida elevação das temperaturas globais. “Um estudo recente mostrou que o aquecimento está se acelerando. Vamos atingir ou até ultrapassar 1,5°C de aquecimento já por volta de 2030. Isso está levando a eventos extremos cada vez mais frequentes e intensos”, afirmou.
Ao longo da exposição, o pesquisador apresentou dados alarmantes sobre os chamados pontos de não retorno climáticos e ecológicos, destacando que biomas brasileiros como Amazônia, Cerrado, Caatinga e Pantanal já demonstram sinais preocupantes de alteração das suas características e até de “extinção”. Alguns dos impactos já observados estão o avanço da aridez sobre o Cerrado, o risco de áreas da Caatinga virarem deserto e a até redução das áreas alagadas do Pantanal.
Nobre também chamou atenção para o papel estratégico da Amazônia na regulação climática da América do Sul. Segundo ele, a floresta produz e recicla grandes volumes de umidade, ajudando a formar os chamados “rios voadores”, que influenciam o regime de chuvas em diversas regiões do continente. O problema, segundo o cientista, é que o desmatamento e as secas extremas têm aumentado a pressão sobre o bioma.
Durante a palestra, ele ressaltou que muitos dos fenômenos observados atualmente já eram previstos pela ciência há quase três décadas. Nobre se mostrou muito preocupado com o cenário atual mundial: “Estamos vivendo um período muito sério e complexo. O aquecimento da Terra está acelerando”, afirmou. Mas ele não ficou só nos alertas. Nobre apresentou soluções como, por exemplo, o fortalecimento da bioeconomia, a restauração de áreas degradadas e o investimento em soluções sustentáveis que valorizem a biodiversidade amazônica.
Educação ambiental para as futuras gerações
Mediador da palestra, o conselheiro Júlio Pinheiro reforçou a importância da educação ambiental como ferramenta para enfrentar os desafios apresentados ao longo da exposição. “Não temos dúvidas disso. Para alcançarmos esse objetivo, precisamos buscar conhecimento, compartilhar boas práticas e formar uma nova geração comprometida com o futuro do planeta”, destacou.
Na ocasião, Júlio Pinheiro apresentou o programa Caminho Sustentável, desenvolvido pela Escola de Contas Públicas do TCE-AM. A iniciativa é voltada a estudantes do ensino fundamental e aborda temas como gestão da água, resíduos sólidos e mudanças climáticas por meio de conteúdos educativos, atividades interativas e recursos tecnológicos. Segundo o conselheiro, a proposta é ampliar a conscientização ambiental e estimular atitudes que contribuam para um futuro mais sustentável.
V CATC
O V CATC é promovido pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), pelo anfitrião, Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) e pelo Instituto Rui Barbosa (IRB) e conta com a parceria estratégica da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp).
O congresso tem patrocínio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais do Maranhão (SEMA), da Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e conta com o apoio da BYD Parvi, da Agência de Desenvolvimento do Estado do Maranhão (Investe Maranhão) e Zona de Processamento de Exportação do Maranhão (ZPE Maranhão) e da BRK Ambiental.
Texto: Flávia Rezende (TCE-AM)
Fotos: Fernando Fernandes
Edição: Ederson Marques (Atricon)