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Agenda do Controle

Economia dos datacenters e o desafio cearense

Edilberto Pontes

O recente estudo da Brookings Institution, “Turning the Data Center Boom into LongTerm, Local Prosperity”, traz uma advertência que o Ceará deveria levar muito a sério: datacenters podem mobilizar investimentos bilionários, mas isso não se traduz automaticamente em desenvolvimento econômico duradouro. Em geral, esses empreendimentos produzem um ciclo intenso, porém breve, de empregos na construção, alguma arrecadação e ganhos pontuais de infraestrutura, mas tendem a deixar poucos postos permanentes e limitado enraizamento produtivo, salvo quando há estratégia pública clara e bem negociada.

Fortaleza já se consolidou como um dos principais pontos de conexão digital do País, com infraestrutura estratégica e posição privilegiada no mapa da conectividade internacional. Ao mesmo tempo, o Complexo do Pecém desponta como espaço promissor para projetos de grande porte. Trata-se, sem dúvida, de uma oportunidade relevante. Mas seria imprudente confundir a magnitude dos investimentos com a qualidade de seus efeitos sobre a economia local.

A experiência internacional recomenda cautela. Quando governos locais entram numa disputa baseada sobretudo em incentivos fi scais, rapidez no licenciamento e oferta de infraestrutura, podem acabar recebendo instalações valiosas, mas pouco integradas ao tecido econômico da região. O risco, nesse caso, é criar um enclave tecnológico: moderno, intensivo em capital, mas de baixo impacto difuso sobre emprego, inovação e diversificação produtiva.

O ponto central, portanto, não é ser contra os datacenters. Pelo contrário. É saber em que termos eles devem ser incorporados a uma estratégia de desenvolvimento. O Ceará dispõe de ativos importantes – localização, conectividade e potencial em energias renováveis – e pode usar essas vantagens para estimular formação de capital humano, cooperação com universidades, pesquisa aplicada, fortalecimento de fornecedores locais, apoio a startups e compromissos consistentes com eficiência energética e uso responsável da água.

Datacenters podem ser parte de um futuro próspero. Mas, sem visão estratégica, também podem se limitar a grandes estruturas, números impressionantes e poucos efeitos transformadores. O verdadeiro desafi o cearense é converter a economia dos dados em conhecimento, inovação e prosperidade compartilhada.

Edilberto Pontes é conselheiro do TCE Ceará e ex-presidente do Instituto Rui Barbosa (IRB).

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