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Municípios de São Paulo descumprem Política Nacional de Resíduos Sólidos

adamantina2Fiscalização do TCE-SP identificou lixões e descarte irregular de materiais perigosos à saúde

As prefeituras municipais do Estado de São Paulo descumprem amplamente a legislação que regula o tratamento de resíduos sólidos, mantendo lixões a céu aberto e ignorando normas específicas para gestão dos rejeitos dos setores da construção civil, da saúde e agropecuária. O diagnóstico é do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo após fiscalização realizada em 163 municípios em setembro.

A fiscalização observou 43 itens relacionados à Lei 12.305 de 2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, e demais regras do setor. Os dados gerais apontam que somente 51,54% dos municípios avaliados já implantaram um plano de gestão integrada dos resíduos sólidos e que 19,63% nem sequer iniciaram sua elaboração.

Quase um quarto dos municípios (23,31%) ainda acumula os resíduos sólidos orgânicos e inorgânicos a céu aberto nos chamados lixões –proibidos por lei desde 1981–, que atraem catadores expostos a contaminação, aves de rapina e outros animais. Mesmo entre aqueles que levam os resíduos para aterros, poucos fazem algum tipo de tratamento no material antes de descartá-lo, como reciclagem (11,73%), birigui1reutilização (1,23%) ou compostagem (2,47%). Além disso, 13,58% dos aterros não possuem licença de operação da CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo).

A fiscalização apontou ainda que não há qualquer tipo de coleta seletiva em 36,20% das cidades avaliadas. Nas demais, a coleta seletiva atende uma parte do serviço de recolhimento do lixo. Apenas 3,11% das prefeituras conseguem selecionar entre 75% e 100% do material.

Somente 62,58% dos municípios gerenciam o material descartado pelos serviços de saúde e 71,17% não dispõe de área específica para armazená-lo. Na parte de resíduos da construção civil –que demandam gestão especial por conterem substâncias perigosas à saúde, como amianto–, 58,28% dos municípios não possuem plano para coleta, transporte e destinação final. Em relação aos empreendimentos do setor agropecuário e de florestas plantadas, que são obrigados a elaborar plano específico, 88,96% das prefeituras não fiscalizam sua execução e 85,89% não preveem qualquer punição para aqueles que o descumprem.

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