O fortalecimento da comunicação pública, o acompanhamento das ações previstas no Plano Anual de Trabalho (PAT) 2026 e o aperfeiçoamento da atuação colaborativa entre os tribunais de contas estiveram no centro dos debates do primeiro dia do 3º Encontro Técnico da Rede Integrar, realizado nesta quinta-feira (2), na sede do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul (TCE-RS), em Porto Alegre.
O encontro reúne, até esta sexta-feira (3), integrantes do Comitê Técnico da Rede Integrar, responsáveis pelas iniciativas previstas no PAT 2026 e assessores de comunicação dos tribunais de contas de todo o país. A programação é voltada ao intercâmbio de experiências, ao acompanhamento das ações estratégicas da Rede e ao aprimoramento de metodologias de trabalho desenvolvidas de forma colaborativa.
Na abertura do evento, o conselheiro do TCE-RS e representante da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) na Rede Integrar, Cezar Miola, destacou a relevância do encontro para o desenvolvimento de iniciativas estratégicas voltadas ao fortalecimento do controle externo em âmbito nacional. Também ressaltou o papel das assessorias de comunicação na aproximação entre os tribunais de contas e a sociedade, além do potencial das novas tecnologias para qualificar processos, ampliar a transparência e fortalecer a atuação institucional.
Representando o Tribunal de Contas da União (TCU), o secretário de Relações Institucionais, Manoel Moreira Neto, lembrou que a Rede Integrar completa seis anos de atuação e já coordenou mais de 140 trabalhos desenvolvidos de forma colaborativa. Segundo ele, o enfrentamento dos desafios comuns aos órgãos de controle depende da integração entre as instituições e da construção coletiva de soluções. “Esta é a nossa missão, através do enfrentamento dos problemas, adotando ações de coordenação e trabalho coletivo”, afirmou.
Representando o Instituto Rui Barbosa (IRB) no Comitê Estratégico da Rede Integrar, o conselheiro Sebastião Helvécio recordou que a primeira reunião do colegiado foi realizada no TCE-RS, tendo a educação como tema central. Durante sua manifestação, destacou cinco eixos que orientam a atuação dos tribunais de contas: fiscalização e auditoria, avaliação de políticas públicas, articulação interinstitucional, indução de boas práticas e fortalecimento da gestão pública.
A programação da manhã foi dedicada ao tema “Comunicação Estratégica em Redes Colaborativas”. No primeiro painel, a especialista em comunicação e reputação Soraya Hanna e a secretária-executiva da Vice-Presidência de Relações Institucionais da Atricon, Priscila Oliveira, debateram os desafios da comunicação pública na construção da reputação institucional, na gestão de crises e no fortalecimento da confiança da sociedade nas instituições. A mediação foi conduzida pelo conselheiro Cezar Miola.
As palestrantes defenderam uma atuação cada vez mais estratégica das áreas de comunicação, orientada pelo interesse público e pela necessidade de ampliar a compreensão da sociedade sobre o papel desempenhado pelos tribunais de contas. Também destacaram a contribuição da Rede Integrar para a disseminação de boas práticas e para o fortalecimento do controle externo em âmbito nacional.

Na sequência, o secretário de Comunicação da Atricon, Ederson Marques, apresentou os resultados da Pesquisa de Percepção da Atuação dos Órgãos de Controle e do levantamento sobre o Grau de Confiança nas Instituições Brasileiras. Os dados indicam que os tribunais de contas são reconhecidos pela população como instituições necessárias e relevantes para a fiscalização da administração pública, embora ainda exista o desafio de ampliar a proximidade com os cidadãos e tornar sua atuação mais conhecida.
O estudo também mostrou que os tribunais de contas ocupam a quinta posição entre as 19 instituições avaliadas no índice de confiança apresentado durante o painel.

Encerrando a programação da manhã, o painel “Comunicação no Controle”, mediado pela especialista em comunicação estratégica Melina Fernandes, discutiu o papel da comunicação como instrumento de fortalecimento das políticas públicas e da cidadania.
Na abertura do painel, Melina destacou a comunicação como política pública quando contribui para garantir direitos, ao dar visibilidade a serviços essenciais como saúde, educação e assistência social, além de ampliar a transparência sobre a aplicação dos recursos públicos e seus impactos na vida da população.
A coordenadora de Comunicação do TCE-RS, Tatiana da Costa Gomboski, e a diretora de Comunicação do Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO), Heloísa Lima, abordaram a importância da comunicação estratégica no acompanhamento das ações desenvolvidas pela Rede Integrar e na divulgação de seus resultados. As palestrantes também apresentaram experiências implementadas em seus tribunais para ampliar a visibilidade das ações da Rede, fortalecer a comunicação institucional e aproximar os órgãos de controle da sociedade.
Durante o painel foi apresentado o Manual de Comunicação da Rede Integrar, elaborado para incentivar uma cultura de comunicação integrada entre as instituições participantes. O documento reúne orientações destinadas às assessorias de comunicação e aos representantes técnicos da Rede, buscando padronizar procedimentos, alinhar estratégias de divulgação, otimizar fluxos internos e facilitar o compartilhamento de informações e pautas entre os participantes.

No período da tarde, os trabalhos concentraram-se no acompanhamento das ações previstas no Plano Anual de Trabalho (PAT) 2026. Entre as novidades apresentadas está a implantação de um painel eletrônico no portal do Instituto Rui Barbosa, que passará a reunir, de forma centralizada, as informações sobre a execução das iniciativas desenvolvidas pela Rede Integrar, substituindo o sistema de monitoramento realizado anteriormente por meio de planilhas.

Os participantes também discutiram estratégias para ampliar a atuação colaborativa entre as instituições, com foco na adoção de metodologias padronizadas para o desenvolvimento de projetos estratégicos. Entre os temas debatidos estiveram transparência, governança, gestão fiscal, sustentabilidade das iniciativas e desenvolvimento contínuo das competências das equipes técnicas.

Ao final da programação, foi proposta a criação de novos comitês temáticos como forma de ampliar a participação das instituições integrantes da Rede Integrar, fortalecer a cooperação técnica e impulsionar o desenvolvimento das ações previstas para os próximos ciclos de trabalho.
