Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Agenda do Controle

Cooperação inovadora

Por LUIZ HENRIQUE LIMA

Está em curso uma importante experiência de cooperação entre os Tribunais de Contas brasileiros. Sob a liderança do Tribunal de Contas da União estão sendo realizadas duas auditorias coordenadas: uma sobre a qualidade do ensino médio e outra sobre as unidades de conservação na Amazônia. A primeira envolve, além do TCU, todos os 27 TCs estaduais e do Distrito Federal. A última tem a participação dos TCs de Estados cujo território abrange o bioma Amazônia, como Mato Grosso, Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão.

A iniciativa partiu do Ministro Augusto Nardes, presidente do TCU, que mobilizou todas as Cortes de Contas para atuarem de forma conjunta nesses temas de enorme relevância, tendo contado com a entusiasmada adesão dos Conselheiros Antonio Joaquim, presidente da Atricon – Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil, e José Carlos Novelli, presidente do TCE-MT.

No caso da fiscalização sobre as unidades de conservação, a auditoria avaliará a governança ambiental das áreas protegidas na Amazônia, identificando riscos e oportunidades de melhoria, por meio da avaliação das condições normativas, institucionais e operacionais necessárias ao alcance dos objetivos traçados durante a criação das unidades de conservação. Isso permitirá aos Tribunais envolvidos formular recomendações e determinações para que as ações governamentais sejam mais eficazes.

Como se sabe, a Amazônia detém uma das maiores concentrações de biodiversidade no planeta e a gestão de áreas protegidas representa a principal estratégia para a manutenção dessa biodiversidade. Mato Grosso dispõe de 17 unidades de conservação sob a gestão do governo estadual no bioma Amazônia, além de 8 sob a gestão do ICM-Bio, com destaque para o Parque Nacional do Juruena, com mais de 1 milhão de hectares.

Entre outros aspectos, a auditoria operacional pretende realizar a avaliação sistêmica, do ponto de vista do controle externo, das unidades de conservação no bioma Amazônia, contribuindo para aprimorar a gestão dessas áreas; a avaliação da gestão e dos processos gerenciais a que cada UC está submetida, identificando gargalos e oportunidades de melhoria na atuação do governo federal e estadual em relação à governança ambiental no bioma Amazônia; a identificação das boas práticas que contribuem para o aprimoramento da gestão do Sistema de Nacional de Unidade de Conservação; a avaliação da existência de recursos orçamentários suficientes para melhoria da gestão de áreas protegidas; e o funcionamento do pacto federativo ambiental e do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC – PNAP).

O trabalho envolve dezenas de auditores que receberam capacitação específica para atuação na área ambiental e, no caso de Mato Grosso, será um marco para a implantação sistemática da avaliação de aspectos ambientais nas auditorias de gestão. Afinal, no planejamento estratégico do TCE-MT consta a meta de implantar auditorias ambientais sob a ótica do controle externo. Nada mais coerente, uma vez que o meio ambiente ecologicamente equilibrado é considerado pela Constituição como um direito de todos, sendo a Floresta Amazônica brasileira e o Pantanal declarados integrantes do patrimônio nacional.

Façamos votos que essa cooperação inovadora produza bons frutos, resultando em maior qualidade da gestão das unidades de conservação, essenciais para a proteção da biodiversidade.

*Luiz Henrique Lima é Conselheiro Substituto do TCE-MT.

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