Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Agenda do Controle

Menos da metade dos municípios do PR tem aterro sanitário regular, aponta TCE

Menos da metade dos municípios paranaenses conta com aterro sanitário regularizado e aproximadamente dois terços precisam pagar para transportar seus resíduos sólidos a fim de que estes tenham sua destinação final em outras localidades.

Estas e outras informações foram obtidas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) por meio de levantamento relativo à sustentabilidade da gestão do lixo realizado junto às 399 prefeituras do Paraná em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest-PR) entre setembro e outubro.

A atividade foi conduzida por meio do envio, aos municípios, de um questionário eletrônico a respeito do assunto. Ao todo, 383 entes forneceram respostas válidas ao formulário. O trabalho tem como objetivo auxiliar as prefeituras na gestão dos resíduos sólidos urbanos, mapeando o panorama atual para planejar e executar ações de forma mais efetiva e eficiente.

Resultados

Conforme o relatório resultante do levantamento, 157 municípios possuem aterro sanitário regularizado, 49 estão com aterro em fase de regularização e 62 possuem aterro irregular (“lixão”) ativo – “situação que demanda atenção imediata do ponto de vista ambiental, sanitário e jurídico”, de acordo com o documento.

A pesquisa também demonstrou que 253 prefeituras desembolsam valores substantivos para deslocar resíduos sólidos a outras localidades, sendo os destinos mais citados Cascavel (26 menções), Fazenda Rio Grande (18), Maringá (14), Apucarana (12) e Nova Esperança (12).

Além disso, ficou demonstrado que a maior parte dos municípios gasta de R$ 15 mil a R$ 67 mil mensais com esse tipo de serviço, com um ponto típico ao redor de R$ 32 mil mensais – o que gera uma relevante pressão orçamentária sobre essas prefeituras.

Foi apurado ainda que mais da metade dos municípios (245) apresenta baixa adesão à separação de recicláveis; pelo menos um terço (156) realiza a gestão de orgânicos – por meio de compostagem ou biodigestão – de forma inadequada; e há apoio insuficiente às cooperativas de catadores em 75 municípios. Por outro lado, 345 prefeituras – ou 90% das participantes do levantamento – demonstraram interesse em incentivos para projetos sustentáveis.

Finalmente, o levantamento indicou que apenas 111 dos municípios que responderam a pesquisa participam de consórcios regionais voltados à gestão de resíduos. “Os dados sugerem que, onde há consórcios operantes, a governança se estrutura melhor, o planejamento é compartilhado e os custos unitários tendem a cair”, afirma o relatório.

Conclusões

A partir dos dados obtidos junto às prefeituras, a equipe do TCE-PR responsável pela atividade confirmou que a regionalização no que diz respeito ao tema ainda é baixa e que a infraestrutura da gestão de resíduos ainda demanda regularização e investimentos.

“Ao mesmo tempo, há forte disposição dos municípios para adotar soluções sustentáveis – uma oportunidade para programas estruturantes nas microrregiões”, é apontado no relatório resultante do levantamento, o qual indica ainda sete recomendações na área para as prefeituras paranaenses.

São elas: ampliar e formalizar consórcios; regularizar e modernizar aterros; implantar hubs regionais para triagem de resíduos; ajustar a taxa ou tarifa do lixo; qualificar contratos de coleta e destinação; adotar rotina de monitoramento; e reforçar a educação ambiental junto à população.

O levantamento, fundamentado em dados autodeclarados pelas prefeituras, foi promovido pela Coordenadoria-Geral de Fiscalização (CGF) e pela Coordenadoria de Atendimento ao Jurisdicionado e de Controle Social (CACS) do TCE-PR.

Parceria

Além do levantamento sobre o tema da gestão de resíduos sólidos realizado junto aos municípios, a parceria firmada entre o TCE-PR e a Sedest-PR prevê que o Tribunal orientará os gestores municipais com apoio técnico na formulação e no aprimoramento de políticas públicas, bem como no fomento a soluções consorciadas, quando pertinente.

Por sua vez, a secretaria estadual proverá às prefeituras apoios financeiro e técnico, além de propor e desenvolver políticas públicas para melhorar a gestão dos resíduos, ajustando-as à realidade municipal de cada localidade.

“As informações obtidas no levantamento serão fundamentais para orientar a formulação e implementação de estratégias conjuntas entre o Governo do Estado, os municípios e demais órgãos envolvidos, assegurando decisões embasadas e alinhadas às diretrizes do Plano Estadual de Resíduos Sólidos (PERS-PR) e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”, afirmou a comunicação via mala direta enviada às prefeituras por meio do Canal de Comunicação (CACO) – ferramenta de diálogo institucional do TCE-PR com seus fiscalizados. Os ODS foram definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Com informações da Assessoria de Comunicação do TCE-PR

Mais recentes

Vice-presidente Joaquim de Castro representa a Atricon em homenagem ao conselheiro Edilberto Pontes

Atricon e IRB apresentam projetos ao Tribunal de Contas da Região Autónoma dos Açores, em Portugal

Iniciativa do TCE-MG gera economia de R$ 804 milhões aos cofres públicos

Diretor Saulo Mesquita representa a Atricon na abertura do seminário do Progov

Auditoria do TCE-MG aponta déficit de planejamento e integração nas políticas para a Primeira Infância em Minas Gerais

Leia também

Vice-presidente Joaquim de Castro representa a Atricon em homenagem ao conselheiro Edilberto Pontes

A Medalha Mérito da Corte de Contas, a mais alta honraria do Tribunal de Contas do Ceará, foi concedida ao conselheiro Edilberto Pontes, diretor de Tecnologia e Inovação da Atricon, em reconhecimento à sua atuação no Sistema TCs.

Atricon e IRB apresentam projetos ao Tribunal de Contas da Região Autónoma dos Açores, em Portugal

Comitiva brasileira apresentou o Programa Nacional de Transparência Pública, o Marco de Medição de Desempenho e Impacto dos TCs e o Manual de Linguagem Simples. A instituição portuguesa manifestou interesse em cooperação técnica e em um possível projeto piloto no arquipélago.

Iniciativa do TCE-MG gera economia de R$ 804 milhões aos cofres públicos

Ao todo, foram mais de 15,5 mil indícios resolvidos com a ação do projeto, que atua de forma preventiva, orientadora e fundamentada em dados na fiscalização da gestão de pessoal dos órgãos e das entidades fiscalizadas.