O Menestrel Baiano das Contas à frente do IRB

Luciano Chaves de Farias

De logo, faz-se necessário esclarecer aos leitores que IRB são as iniciais do Instituto Rui Barbosa, uma organização civil, sem fins lucrativos, fundada em 1973 pelos Tribunais de Contas do Brasil, com o objetivo de auxiliá-los no desenvolvimento e aperfeiçoamento das suas atividades. O IRB é reconhecido como o “braço acadêmico” do Sistema de Controle Externo brasileiro.

Feito esse primeiro esclarecimento, parte-se para a segunda explicação. O “Menestrel baiano das Contas” a que me refiro no título é o Conselheiro do TCE/BA Inaldo da Paixão Santos Araújo, que no último mês de 2025 foi eleito por todos os Tribunais de Contas do país como Presidente do IRB para o próximo biênio 2026/2027. E nessa eleição, houve dois fatos inéditos dignos de nota. Pela vez primeira um conselheiro baiano assumirá a presidência de uma instituição que leva o nome de Ruy Barbosa, jurista de renome internacional e ilustre cidadão baiano. Embora um conselheiro baiano tenha participado da Comissão Especial, composta por cinco Conselheiros de Tribunais de Contas, que estudou a proposta e ofereceu conclusões e parecer favorável para a criação do Instituto (o baiano de Ubaíra Renato Bião de Cerqueira), nunca houve um presidente conterrâneo do Patrono dos Tribunais. E o outro fato que merece destaque foi o ineditismo na participação (e votação) dos 33 Tribunais de Contas brasileiros, que expressamente chancelaram e elegeram o Conselheiro Inaldo para gerir o IRB pelos próximos dois anos, numa demonstração inequívoca da união e coesão do Sistema em prol de único líder.

O último aclaramento que precisa ser feito é sobre a alcunha dada aqui ao Conselheiro Inaldo. Confesso que quando soube dessa sua eleição unânime, simbólica e significante, me veio à mente à figura do Menestrel, em especial do Senador Alagoano Teotônio Brandão Vilela, que foi um dos grandes baluartes do último processo de redemocratização brasileira no início dos anos 1980. Nessa época, após ter rodado o país levando sua bandeira da retomada da democracia e liderando a luta incessante pelas “Diretas Já”, Teotônio passou a ser apelidado, de forma carinhosa, como o Menestrel das Alagoas. O termo menestrel refere-se a uma figura medieval itinerante, que rodava por vários lugares, levando músicas, cânticos e que entretinha Cortes e o povo recitando poemas e contando casos e histórias. Então, o apelido do ilustre político nordestino surgiu justamente de sua capacidade de “cantar” a política com paixão e de sua postura digna e inspiradora, especialmente durante a campanha pelas eleições diretas.

Pois bem. O Conselheiro Inaldo também possui esse perfil de levar “aos quatro cantos” do país (e até de fora dele) a nobre causa do bom controle das contas públicas. Se o Senador Teotônio é lembrado por sua coragem, seu idealismo e por defender o essencial para a sociedade, o Conselheiro Inaldo também é reconhecido nacional e internacionalmente como uma das grandes referências em auditoria pública e controle externo e defensor da capacitação contínua para o aperfeiçoamento da gestão pública. Foi na sua primeira gestão na Presidência do TCE/BA que foi criada e inaugurada, em 2015, a Escola de Contas Conselheiro José Borba Pedreira Lapa. Tive a honra e o privilégio de ter participado com ele da implantação desse exitoso projeto da Escola, como também de ter tido Inaldo como meu primeiro Chefe há 28 anos, quando ingressei nos quadros da auditoria no Tribunal.

O Mestre Inaldo, além de auditor de carreira, é um professor por vocação e escritor por devoção. Um grande entusiasta do regramento, padronização e aperfeiçoamento das atividades auditoriais. E, assim como fez o Senador Teotônio em relação à defesa da democracia, Inaldo se dedica à área de controle público com muita entrega, competência e paixão, que, como costuma dizer, carrega até no seu nome. Por esses e outros predicados, os ilustres Representantes baianos do Parlamento indicaram-no para a vaga de Conselheiro em 2012, como reconhecimento dessa sua bela trajetória de dedicação às atividades de controle, auditoria e contabilidade pública. Assim, entendo que alcunhá-lo de Menestrel das Contas é absolutamente adequado e pertinente.

Ao concluir seu breve pronunciamento, quando da divulgação do resultado das eleições para a nova Diretoria do IRB, o Conselheiro Inaldo reafirmou seu compromisso e o orgulho de levar a Bahia ao centro do sistema de controle externo brasileiro, asseverando que “da Bahia para o IRB, o meu coração emocionado vai estar sempre pulsante”. E disso ninguém duvida! Ao contrário, sua trajetória de quase quatro décadas atuando na administração pública como controlador sinaliza que, sem dúvidas, o Presidente eleito assumirá esse novo desafio profissional com muita paixão e entrega, contribuindo para o atingimento pleno da visão do Instituto de “ser referência estratégica na produção e disseminação do conhecimento e no aprimoramento da administração pública” 

E se na icônica composição de Milton Nascimento e Fernando Brant (Menestrel das Alagoas), imortalizada na voz poderosa de Fafá de Belém, pergunta-se  “Quem é esse peregrino, que caminha sem parar? Quem é esse meu poeta que ninguém pode calar? Quem é esse?”, o povo baiano responde: é o nosso Menestrel das Contas, que agora mais pessoas terão a oportunidade de conhecer sua devoção e vocação.

Parabéns e sucesso, Conselheiro e Mestre Inaldo da Paixão! A Bahia se orgulha!

Luciano Chaves de Farias é secretário-geral do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA)