O vice-presidente de Relações Institucionais da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), Cezar Miola, mediou painel durante o South Summit Brazil 2026 que teve a participação do ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso. O evento ocorreu em Porto Alegre (RS) e o debate integrou a programação da Arena Stage, no dia 25 de março, com o tema Law and Challenges of Emerging Technologies.
Em entrevista, antes do início do painel, Barroso destacou que a inteligência artificial pode ser comparada a grandes marcos históricos da humanidade, como o domínio do fogo, a invenção da roda, o motor de combustão interna, a penicilina e a eletricidade. Para ele, o avanço tecnológico atual representa um momento de inflexão, capaz de redefinir estruturas sociais e institucionais.
Durante o debate, o ministro enfatizou que a inteligência artificial, especialmente em sua vertente generativa, vem provocando transformações profundas e aceleradas. Segundo Barroso, trata-se de uma mudança estrutural que impacta não apenas processos produtivos e decisórios, mas também o próprio significado da condição humana na Terra.
Ele ressaltou que, entre os potenciais benefícios, está a ampliação da capacidade de análise e tomada de decisões, uma vez que sistemas de IA podem processar grandes volumes de dados com rapidez e precisão superiores às humanas. No entanto, também alertou para riscos relevantes, como impactos no mercado de trabalho, o uso bélico da tecnologia, a disseminação de conteúdos falsos por meio de deepfakes e discussões ainda incipientes sobre a chamada singularidade tecnológica.
Na mediação do painel, Cezar Miola destacou a importância de o setor público acompanhar e incorporar, de forma responsável, as inovações tecnológicas. Segundo ele, a inteligência artificial já vem sendo gradualmente internalizada nos processos dos tribunais de contas, contribuindo para a qualificação das atividades de fiscalização.
Miola ressaltou, contudo, que o uso dessas ferramentas deve ocorrer de forma estruturada e sempre complementar ao trabalho humano. “O trabalho do auditor nunca poderá ser substituído pela inteligência artificial”, afirmou.
O conselheiro também enfatizou que a adoção de novas tecnologias na administração pública deve estar alinhada aos princípios constitucionais e orientada pela defesa da democracia. Para ele, é fundamental promover a conscientização dos agentes públicos quanto ao uso ético e responsável dessas ferramentas, de modo a evitar riscos e assegurar que a inovação contribua para o fortalecimento das instituições.