“O problema da violência de gênero é de todo mundo, e não apenas das mulheres”, diz presidente do TCE-RJ

O presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Márcio Pacheco, afirmou que “o problema da violência de gênero é de todo mundo, e não apenas das mulheres’. A declaração foi feita, nesta terça-feira (11), durante o segundo dia do Seminário Nacional de Controle Externo voltado ao Enfrentamento da Violência contra a Mulher.

Durante o evento, o Sistema Tribunais de Contas lançou oficialmente a Rede Nacional de Controle Externo pela Proteção das Mulheres (Rede que Protege), com o objetivo de dar continuidade ao trabalho articulado dos TCs na avaliação das políticas públicas voltadas à prevenção da violência, ao atendimento das vítimas e à responsabilização dos agressores.

Falando aos participantes, Pacheco elogiou o nível do debate feito durante o evento e listou desafios a serem encarados pelos Tribunais de Contas. Segundo ele, o maior deles trata da mudança de postura. “O grande desafio é sair do polo passivo para atuarmos no ativo. Mantendo nosso lugar fiscalizador, mas incentivando novos caminhos”, avaliou.

Membros do Sistema Tribunais de Contas

De acordo com o presidente do TCE-RJ, no mundo globalizado, outro desafio é deixar de dizer “eu não sabia” ou “me desculpe” para a violência de gênero. “Esse combate à violência precisa ser enfrentado de forma dura. O problema é de todo mundo, não só das mulheres, mas também dos homens”, reforçou.

Pacheco ainda elogiou a postura da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), do Instituto Rui Barbosa (IRB) e demais entidades do Sistema Tribunais de Contas. “O que estão fazendo é buscar justamente isso: promover um novo caminho para as soluções dos grandes problemas de nossa sociedade”.

Ao fim, Pacheco recitou um poema de Bráulio Bessa, presente na obra “Poesia que transforma“:

Na leveza de um poema,
hoje cobro consciência.
Que meus versos sejam fortes
contra qualquer violência.
Seja no corpo ou na alma
que transforme agito em calma.
Seja amor, seja paixão.
E a minha mensagem é:
entre homem e mulher
só quem bate é o coração.

Que o coração, sim, bata forte
a cada café na cama,
a cada vez que você
mostrar o quanto a ama.
A cada gesto de amor
que alivia qualquer dor,
a cada surra de beijos,
a cada vez que você
se virar pra atender
cada um dos seus desejos.

Também faça ela chorar
de tanta felicidade.
Sentir dor lá na barriga
de tanto rir de verdade.
Seja sempre verdadeiro,
carinhoso, companheiro,
e brigue pra vê-la bem.
Troque tapas com a vida,
nessa luta tão comprida
defenda ela também.

Que você aperte ela
num abraço arrochado,
que cada marca no corpo
seja de batom borrado.
Que esse amor seja forte
e que haja um grande corte
no machismo, no preconceito,
que nós sejamos iguais,
que nós sejamos bem mais,
que sejamos mais respeito.

Afinal, “ela” são tantas
e essas tantas uma só,
sua irmã, sua mãe,
sua esposa, sua vó.
Seu primeiro alimento,
repare, seu nascimento,
sua primeira acolhida,
não esqueça, onde estiver,
que foi, sim, uma mulher
quem lhe deu o dom da vida.

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