Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Agenda do Controle

Novos rumos do controle externo

Por Francisco de Souza Andrade Netto

Tomou posse na presidência do Tribunal de Contas da União o baiano, ministro Aroldo Cedraz, em substituição ao ministro Augusto Nardes, que realizou uma gestão exitosa em seus objetivos, legando-nos um modelo de governança pública para condução da gestão das políticas públicas e da prestação de serviços à sociedade.

De par com as reminiscências que forjaram seu caráter de homem público e com a evocação ao Hino ao Senhor do Bonfim, a cujos acordes, segundo me revelou, se acostumou desde cedo como ouvinte das resenhas esportivas do saudoso amigo, radialista e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, França Teixeira, o ministro Cedraz traçou com lucidez, em seu discurso de posse, as diretrizes que nortearão sua presidência na elevada corte de contas, que fortalecem a liderança que o TCU exerce entre os demais tribunais de contas brasileiros, valiosa, sobretudo, no atual contexto em que se registram graves irregularidades na gestão do patrimônio público.

Como temos verificado, a cada dia surgem novos episódios de corrupção, um mais audacioso do que o anterior. Veja-se o caso da Petrobras, um exemplo típico de apropriação indevida de recursos da sociedade, envolvendo conluio entre o setor público e segmentos do setor privado, que vem sendo investigado com muita competência pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, sob o controle do destemido juiz federal Sérgio Moro.

É certo que os órgãos de controle público e a mídia têm contribuído para a apuração de atos de corrupção e responsabilização dos seus autores. Todavia, como salientou o ministro Cedraz, o enfrentamento dos recorrentes atos contra o patrimônio público exige uma sinergia muito forte entre os órgãos de controle e instituições representativas da sociedade civil.

Por outro lado, como notou o outro baiano, o ministro Jorge Hage, ao se despedir da Controladoria Geral da União, as grandes corporações públicas, também, devem estar sujeitas ao sistema de controle e subordinadas ao interesse nacional, sendo, para tanto, necessário ampliar os mecanismos de controle e prevenção da corrupção para incluir as empresas estatais de economia mista, reduzindo, assim, a possibilidade de ocorrências predatórias, como se verifica no caso da Petrobras.

Neste sentido, o novo presidente do TCU contribui com um conjunto de diretrizes para mudar o atual ambiente da gestão pública no Brasil, chamando à atenção para a cooperação e a sincronia de esforços entre os órgãos públicos de controle e o compartilhamento das informações aliados à atuação preventiva e tempestiva, de modo a que se possa prevenir irregularidades, evitando-se danos ao erário.

Situa a necessidade de se intensificar a aplicação de novas tecnologias nas atividades de auditoria, com a utilização de plataformas abertas e a mineração de grandes bases de dados, bem como a implantação do governo eletrônico, tanto para propiciar serviços mais ágeis e de menor custo à sociedade, como aumentar a transparência dos atos públicos, dificultando a ação dos agentes de corrupção. Defende, ademais, a criação de estímulos à participação cidadã na vigilância do patrimônio estatal, fortalecendo, deste modo, o desejável controle social das políticas e da gestão públicas.

A Abracom, associação que reúne os tribunais de contas dos municípios, juntamente com a Atricon, que congrega os membros das cortes de contas, e o Instituto Rui Barbosa têm-se emprenhado em fortalecer os programas voltados à modernização, ao aperfeiçoamento e melhor integração entre os tribunais, valorizando tanto a dimensão ética como a profissionalização dos seus quadros.

Pois, como assevera o ministro Aroldo Cedraz, no atual contexto de enormes desafios para a efetividade da atuação dos órgãos de controle público, “não há lugar para atores isolados e esforços difusos, mas apenas para objetivos comuns”. Por isso, conclui: “as competências devem ser usadas para que a união das partes supere a lógica da soma aritmética”.

*Artigo publicado no jornal A Tarde, edição de 09/01/2015

**Francisco de Souza Andrade Netto é Presidente do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) e da Associação Brasileira de Tribunais de Contas dos Municípios (Abracom)

Mais recentes

Secretarias de projetos tratam sobre oficina do IX ENTC focada em cidades inteligentes e meio ambiente

Vice-presidente Gilberto Jales representa a Atricon em entrega de Carta de Compromissos do Gaepe-RN

ProConselhos: Em “live”, TCE-PR orienta conselhos municipais sobre nova avaliação

Tribunais de Contas são incentivados a apoiar fortalecimento de bibliotecas públicas municipais

Oportunidade na área de Comunicação: TCE-RO busca talentos para ampliar diálogo com sociedade

Leia também

O presente e o porvir: os 91 anos do guardião das Geraes

Até onde vai o impacto dos Tribunais de Contas?

Edilson Silva é conselheiro do TCE-RO e Presidente da Atricon Alisson Carvalho de Alencar é conselheiro do TCE-MT Reinaldo Alencar Domingues é auditor de Controle Externo do TCDF

Judiciário precisa ser cirúrgico ao efetivar direito à aprendizagem

Eduardo Abílio Kerber Diniz é juiz de Direito do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO)