Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Agenda do Controle

Passado, presente e futuro e a expectativa como motor da história

João Antonio da Silva Filho *

A dicotomia entre passado e futuro sempre despertou um profundo debate filosófico sobre onde devemos concentrar nossa atenção e valor. O passado, com sua carga de experiências e lições aprendidas, serve como um referencial valioso para orientar nossas escolhas e ações no presente. No entanto, é no futuro que residem nossas expectativas, nossos desejos mais profundos e nossas aspirações mais elevadas.

Enquanto olhamos para trás em busca de sabedoria, é crucial reconhecer que aquilo que já aconteceu não pode ser alterado. O passado, por mais significativo que seja, não pode ser revivido ou modificado; ele simplesmente existe como um ponto de referência para aprendermos e crescermos. É no presente e no futuro que encontramos a oportunidade de moldar nossa trajetória e criar nossa própria história.

No entanto, a busca por nossos desejos e aspirações não pode ser desvinculada de uma consideração ética dos meios que empregamos para alcançá-los. Embora possamos almejar certos fins, é essencial que os meios que escolhemos sejam proporcionais e éticos. Os fins não justificam os meios, ao contrário; portanto devemos buscar alcançar nossos objetivos de maneira justa e moralmente aceitável.

Ao contemplarmos a interação entre passado, presente e futuro, somos desafiados a encontrar um equilíbrio entre aprender com nossas experiências passadas e orientar nossas ações em direção a um futuro desejado. É nesse equilíbrio que encontramos a verdadeira essência da existência humana: a capacidade de refletir, aprender e evoluir continuamente, mantendo-nos fiéis aos nossos princípios éticos e morais.

É A EXPECTATIVA QUE MOVIMENTA A RODA DA HISTÓRIA

A expectativa, de fato, desempenha um papel fundamental na condução da história. São os desejos, sonhos e aspirações das pessoas que muitas vezes impulsionam mudanças significativas ao longo do tempo. Quando indivíduos e sociedades olham para o futuro com esperança e determinação, estão mais propensos a buscar novos caminhos, desafiar o status quo e trabalhar para alcançar objetivos mais elevados.

É a expectativa do progresso, da justiça, da liberdade e do bem-estar que inspira movimentos sociais, revoluções e avanços científicos e tecnológicos. A crença em um futuro melhor motiva as pessoas a superar obstáculos, enfrentar adversidades e perseverar diante dos desafios.

No entanto, é importante reconhecer que nem todas as expectativas se realizam e que o futuro é incerto e imprevisível. Nem sempre as aspirações individuais ou coletivas se concretizam da maneira esperada, e muitas vezes o curso da história é moldado por uma interação complexa de fatores e contingências.

Apesar disso, a expectativa continua a ser uma força poderosa que impulsiona a humanidade para frente, estimulando a criatividade, a inovação e o desenvolvimento. É através da nossa capacidade de imaginar e antecipar o que está por vir que moldamos o mundo ao nosso redor e damos forma ao curso da história.

* João Antonio da Silva Filho é conselheiro do Tribunal de Contas do Município de São Paulo

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