Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Agenda do Controle

Serviços públicos melhores

Por Edilberto Carlos Pontes Lima

Melhorar o setor público é um grande desafio. Como quebrar a dinâmica que muitas vezes leva a administração pública a trabalhar abaixo de seu potencial, entregando serviços aquém do que poderia fornecer, prejudicando a população, principalmente os mais necessitados? Em um quadro de graves restrições orçamentárias, a premência de fazer mais com menos torna-se evidente.

Com frequência se escuta que o governo é intrinsecamente menos eficiente que o setor privado. Argumenta-se que a privatização, as parcerias público-privadas melhorarão a qualidade dos serviços públicos. A evidência empírica mostra, contudo, que não é a propriedade que define a eficiência. Empresas privadas sem competição tendem a sair-se pior que o setor público.

São os incentivos que acabam por moldar o comportamento e definir uma maior ou menor eficiência. Os economistas denominam de “desenho de mecanismos” o conjunto de incentivos que estruturam a forma de atuação das instituições públicas e privadas.

A falta de competição, a inexistência de metas claras e de mecanismos de monitoramento e de cobrança tendem a destruir qualquer ímpeto de eficiência. Empresas privadas maximizarão os lucros, dirigindo pouca atenção aos interesses dos usuários. Entidades públicas também relegarão esses interesses, concentrando esforços majoritariamente no aumento de salários e benefícios para seus funcionários e dirigentes. Nessa linha, pouco investirão em treinamento, em técnicas de aumento de produtividade, uma vez que a sobrevivência institucional não depende do desempenho. Instaura-se um ciclo vicioso de desperdício de recursos e de ineficiência.

Para aumentar a qualidade do serviço público é essencial introduzir incentivos corretos, estabelecer metas e monitorar o cumprimento delas, premiar e punir de acordo o desempenho. São necessários gestores comprometidos com essas ações, uma vez que os planos mais bem elaborados podem ter implementação desastrosa se não houver o empenho devido. Não é fácil na prática, mas esse é o caminho. Há um espaço significativo para a melhoria dos serviços públicos brasileiros sem aumento de gastos.

Edilberto Carlos Pontes Lima – Presidente do TCE Ceará / Vice-Presidente de ensino, pesquisa e extensão do Instituto Rui Barbosa (IRB)

 

Mais recentes

Atricon reforça compromisso com a primeira infância durante o III ENAPI

Sessão Solene na Câmara dos Deputados celebra os 34 anos da Atricon

34 anos de Atricon: nova sede amplia a capacidade de atendimento ao Sistema Tribunais de Contas

TCE-BA é o primeiro Tribunal de Contas do país a instituir Processo Estrutural de Controle

Atricon participa de homenagem ao ministro Jorge Messias durante evento no Piauí

Leia também
Atricon — Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Atricon, 34 anos: de uma reunião em Caldas Novas a uma entidade sem fronteiras

Em 26 de agosto de 1992, durante a 27ª Reunião do Conselho Dirigente do Centro de Coordenação dos Tribunais de Contas do Brasil, promovida pelo TCE de Goiás…
Atricon — Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

34 anos de Atricon: uma trajetória a serviço da boa aplicação do dinheiro público

Neste mês de agosto, a Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil - Atricon completa 34 anos de existência. São três décadas de uma trajetória que…
Atricon — Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Atricon, 34 anos fortalecendo a unidade do Sistema Tribunais de Contas

Completar 34 anos é mais do que celebrar uma trajetória. É reconhecer a importância de uma instituição que, ao longo de mais de três décadas, ajudou a construir…