A Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) manifesta repúdio à charge de Marília Marz publicada pelo jornal Folha de S.Paulo na edição deste sábado (9), em razão de seu conteúdo inadequado, insensível e incompatível com o respeito institucional e humano que deve nortear o debate público.
Embora a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão constituam pilares essenciais do Estado Democrático de Direito, do qual a Atricon se apresenta como incontestável defensora, tais garantias não afastam o dever de responsabilidade, prudência e respeito à dignidade da pessoa humana, especialmente em contextos marcados pelo luto e pela dor coletiva.
A utilização de representação gráfica associada à morte para retratar a magistratura revela grave infelicidade editorial, sobretudo diante do recente falecimento da juíza Mariana Francisco Ferreira, ocorrido em circunstâncias profundamente dolorosas e amplamente conhecidas pela sociedade brasileira. A publicação, divulgada poucos dias após a tragédia e na véspera do Dia das Mães, agrava o sofrimento de familiares, amigos e colegas, além de contribuir para a desumanização dos integrantes do sistema de Justiça.
O fato se acentua ainda mais grave quando identificado que o próprio jornal Folha de S.Paulo publicou com destaque, na quarta-feira (7), o trágico falecimento da juíza Mariana, fator que dispensa qualquer possibilidade de alegação de desconexão entre a infeliz publicação deste sábado com o fato ocorrido. Atitudes como essa não contribuem em nada para a sociedade e, pelo contrário, insuflam o sentimento de animosidade vivido nos dias atuais.
A crítica institucional é legítima e indispensável à democracia. Contudo, o exercício da atividade jornalística não pode prescindir de empatia, sensibilidade e compromisso ético mínimos. A banalização de símbolos ligados à morte e ao sofrimento humano ultrapassa os limites do debate público respeitoso e compromete a convivência democrática.
A Atricon reafirma sua solidariedade à família, amigos e colegas da magistrada falecida, reiterando que o respeito à dignidade humana e às instituições deve prevalecer em qualquer circunstância.
Brasília-DF, 9 de maio de 2026.
Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil – Atricon