Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Agenda do Controle

TCU faz recomendações ao Ministério da Saúde para conter aumento dos casos de sífilis no País

Auditoria do Tribunal de Contas da União detectou problemas como diagnóstico tardio e falta de medicamento no mercado brasileiro

Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu que a política de controle da sífilis é deficiente no país. Há carência de monitoramento por meio de indicadores por entes federados, prevenção primária deficitária, diagnóstico tardio de gestantes e dificuldades na aquisição de medicamentos para o tratamento da doença, visto que a penicilina sumiu do mercado brasileiro. Para reverter a situação, a Corte de Contas recomendou várias ações ao Ministério da Saúde.

Entre as medidas sugeridas pelo Tribunal (Acórdão 2019/2017), constam a articulação do Ministério da Saúde com os Estados e municípios para fortalecer as medidas de captação e tratamento dos parceiros das gestantes com sífilis, incluindo-os nos procedimentos pré-natal. Essa medida contribuirá para o acompanhamento dos índices da doença em todo o País. Outra medida a ser implementada é a disseminação de informação acerca da prevenção da sífilis congênita (contaminação do feto por meio da placenta).

Para o relator do processo, ministro Bruno Dantas, “existem elementos indicativos de que o alto índice de incidência da sífilis não é um problema de aprimoramento da notificação, mas resultado de diversas disfunções estruturais e conjunturais relacionadas à atenção básica de saúde no Brasil, de corresponsabilidade gerencial das três esferas federativas”, afirmou no voto.

O acórdão também recomenda que o Ministério da Saúde articule estratégias em conjunto com o Conselho Federal de Enfermagem e o Conselho Federal de Medicina visando a desmitificação, junto aos profissionais do setor, do risco de reação anafilática pelo uso da penicilina. O Tribunal recomenda também a revogação da competência privativa do enfermeiro de nível superior para realizar testes rápidos, concedendo respaldo técnico a técnicos e auxiliares de enfermagem para que cumpram essa função.

Outras recomendações são para que a pasta elabore planejamento para aquisição das penicilinas benzatina e cristalina, com o objetivo de regularizar o abastecimento nacional; e que avalie a viabilidade de incentivar laboratórios públicos a fabricarem a penicilina. O TCU determinou, ainda, que o Ministério da Saúde apresente à Corte de Contas, em até 120 dias, plano de ação para a implementação das medidas recomendadas.

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