Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Agenda do Controle

Oficina discute políticas públicas para combater o racismo e o papel dos Tribunais de Contas 

Com o tema “Desafios da educação antirracista: o GT 26-A unindo esforços para fiscalização e implementação da legislação”, foi realizada na tarde desta quarta-feira (29) oficina com especialistas e representantes de Tribunais de Contas. A mediação foi da auditora de controle externo do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE-RS) Fernanda Nunes, que explicou que o GT 26-A é um grupo de trabalho a Corte de Contas integra junto a diversos órgãos públicos, voltado a discutir a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas, previsto no artigo 26-A da Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB. 

Fernanda Nunes, que também representou a Atricon, anunciou que no próximo ciclo do Marco de Medição de Desempenho dos Tribunais de Contas do Brasil (MMD-TC) serão inseridos critérios referentes à fiscalização sobre a inclusão de educação afro-brasileira e indígena no currículo das redes públicas de ensino junto aos jurisdicionados. “Precisamos chegar antes do racismo e isso ocorre por meio da formação dos estudantes”, pontuou Fernanda. 

Os primeiros palestrantes foram os professores Graziela Oliveira e José Antônio dos Santos, integrantes do GT 26-A e organizadores da publicação “Educação antirracista: fiscalização e desafios”, parceria entre o TCE do Estado do Rio Grande do Sul (TCE/RS) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Os expositores, por meio de questionamentos à plateia, discutiram temas ligados às relações etnico-raciais no Brasil. 

“Nós não refletimos sobre a origem da nossa sociedade e as pessoas se chocam ao ver acontecimentos na mídia ou em escolas ou empresas, e são nesses momentos traumáticos é que vai se pensar acerca da existência do racismo”, apontou José Antônio, que é professor da UFRGS. O expositor relatou que o racismo no Brasil tem um caráter sócio-econômico, mas também se expressa na “corporeidade” das pessoas, como tom de pele ou outros traços físicos. 

José Antônio informou que há 20 anos a Lei nº 10639/2003 foi implementada, incluindo no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira” e, em 2008, foi incluído o artigo 26-A na LDB. Foi na aplicação desta legislação que se realizou ação fiscalizatória no TCE-RS, o que incluiu a verificação da existência de planos de ensino e de recursos para execução de políticas públicas de educação das relações etnico-raciais e ensino das culturas e histórias africana, afro-brasileira e indígena. Constatou-se que, em 2021, apenas 88 municípios gaúchos informaram existir previsão orçamentária para a execução de políticas públicas para a temática, sendo que 57 deles aplicaram os recursos. 

Graziela Oliveira, que é pedagoga, citou a importância de auditorias para cumprir a legislação existente e para garantir a pluralidade da história e cultura brasileiras. “Quando a sociedade não cumpre o seu dever, ela está fadada a repetir os mesmos erros”, afirmou a palestrante. 

Graziela citou a escritora Chimamanda Ngozi Adichie, que anunciou sobre os perigos da história e cultura única. “Tradicionalmente, as escolas não abordavam a importância ou contribuição de pessoas negras ou indígenas para a sociedade, bem como não ensinavam a lidar com as diferenças”, afirmou a expositora. 

A Oficina também contou com a apresentação da auditora de controle externo do Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM-SP) Daiesse Jaala que foi coordenadora do livro recém-publicado “Políticas afirmativas de inclusão e equidade racial”. Daiesse fez um levantamento histórico sobre a situação de iniquidade racial no país, apontando dados socioeconômicos e livros relevantes que discutiram o assunto, como “Racismo estrutural”, do ministro de Direitos Humanos, Silvio Almeida, e “O genocídio do negro brasileiro”, do escritor Abdias Nascimento. 

Daiesse falou sobre a necessidade de levar para dentro das instituições, incluindo os Tribunais de Contas, assuntos como letramento racial crítico e a afasia racial, que é a incapacidade coletiva para falar sobre raça, e que envolve um esquecimento ou negligência das histórias e estruturas do racismo, e a realização de iniciativas para lidar com a situação, o que envolve políticas de cotas raciais. Conforme a expositora, existe um número pequeno de TCs, em torno de 30%, que inseriram cotas em seus editais de concurso, até mesmo em federações que havia lei regulando o assunto. 

O Congresso

O III Congresso Internacional dos Tribunais de Contas CITC) ocorre entre os dias 28 de novembro e 1º de dezembro, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza. Serão quatro dias de programação, 57 atividades, 102 palestrantes e 1,5 mil inscritos. 

Acompanhe a cobertura completa e apresentações dos painelistas no site da Atricon. As fotos estarão disponíveis no Flickr. A programação pode ser acessada diretamente no site do Congresso e contará com palestras, encontros técnicos, reuniões e outras atividades, como oficinas e capacitação.

O evento é promovido pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas (Atricon) em conjunto com o Instituto Rui Barbosa (IRB), o Tribunal de Contas do Estado do Ceará, Associação Brasileira dos Tribunais de Contas dos Municípios (Abracom), Associação Nacional dos Ministros e Conselheiros Substitutos dos Tribunais de Contas (Audicon) e Conselho Nacional de Presidentes dos Tribunais de Contas (CNPTC), com o patrocínio do Sebrae, da Água Mineral Natural Indaiá, do Banco do Nordeste e do Governo Federal.

O apoio é da Associação Nacional do Ministério Público de Contas (AMPCON), do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais de Contas (CNPGC), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), do Instituto Dragão do Mar, das Secretarias da Cultura e do Turismo do Estado do Ceará e do Tribunal de Contas do Estado do Mato Grosso (TCE-MT).

Texto: Carolina Madeira 
Edição: Vinicius Appel
Foto: Tony Ribeiro

Mais recentes

Atricon reforça compromisso com a primeira infância durante o III ENAPI

Sessão Solene na Câmara dos Deputados celebra os 34 anos da Atricon

34 anos de Atricon: nova sede amplia a capacidade de atendimento ao Sistema Tribunais de Contas

TCE-BA é o primeiro Tribunal de Contas do país a instituir Processo Estrutural de Controle

Atricon participa de homenagem ao ministro Jorge Messias durante evento no Piauí

Leia também

Sessão Solene na Câmara dos Deputados celebra os 34 anos da Atricon

O Plenário da Câmara dos Deputados foi espaço para sessão solene em homenagem aos 34 anos da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), na…

34 anos de Atricon: nova sede amplia a capacidade de atendimento ao Sistema Tribunais de Contas

A Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) inaugurou, nesta quarta-feira (26), dia em que completa 34 anos de história, sua nova sede em Brasília…

Atricon participa de homenagem ao ministro Jorge Messias durante evento no Piauí

O presidente da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), Edilson Silva, participou, nesta terça-feira (25), da IV Conferência Diálogos com o Futuro, em Teresina (PI). Ao final do evento, o advogado-geral da União, ministro Jorge Messias, foi agraciado com a entrega do Colar e o Diploma do Mérito Conselheiro Jesualdo Cavalcanti,