Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Agenda do Controle

Quando o Tribunal fala, a democracia ganha

Fernando Martins

Quando falamos em Tribunais de Contas, muita gente imagina um órgão distante, técnico e difícil de entender. Esse é justamente o ponto: não basta fiscalizar bem — é preciso explicar bem. Em um ambiente de cobrança permanente por transparência, marcado por excesso de informação e risco de desinformação, fortalecer a comunicação pública nos Tribunais de Contas deixou de ser acessório. Virou condição para a utilidade social do controle externo e para a reputação institucional.

O Tribunal de Contas trabalha para garantir que o dinheiro público seja usado com eficiência, legalidade e integridade. Mas, se as auditorias, alertas e decisões ficam restritas a relatórios longos e linguagem hermética, cria-se uma barreira entre a instituição e quem ela serve. Por isso, a comunicação precisa ser técnica, sim — porém com linguagem simples, foco no cidadão e compromisso com a compreensão. Transparência real não é só publicar documentos: é permitir que as pessoas encontrem, entendam e usem a informação.

Uma comunicação forte nos Tribunais de Contas atua em três frentes. A primeira é a prestação de contas: divulgar resultados de auditorias, de forma organizada e contextualizada, facilita o trabalho da imprensa e amplia o controle social. A segunda é educação cidadã: explicar como funciona a fiscalização, por que um achado importa e o que muda na vida real. A terceira é gestão de reputação e confiança: instituições que comunicam com clareza são percebidas como necessárias, ganham legitimidade e ficam mais protegidas contra ruídos, boatos e narrativas distorcidas.

Fortalecer a comunicação pública nos Tribunais de Contas, portanto, não é uma escolha estética nem um esforço de autopromoção. É parte do dever institucional de transparência e uma condição para que a fiscalização cumpra sua finalidade democrática. Transparência não se resume a disponibilizar relatórios e decisões em portais. Ela se completa quando a informação é encontrável, compreensível e contextualizada, permitindo que cidadãos, gestores, jornalistas e pesquisadores acompanhem resultados, avaliem riscos e cobrem providências.

Isso exige presença inteligente nas mídias — site institucional, imprensa, redes sociais — com consistência, dados, didatismo e agilidade. Mostrar auditorias que viram notícia, traduzir números em impacto, dar contexto sem alarmismo e responder com rapidez em momentos sensíveis é parte do trabalho. Comunicação pública, aqui, não é marketing: é serviço, é accountability, é democracia em prática.

Comunicar melhor não significa comunicar mais. Significa comunicar com propósito: informar para permitir compreensão e participação.

No fim, a lógica é simples: quando o cidadão entende o que o Tribunal faz, ele reconhece valor, confia mais e participa melhor. Fortalecer a comunicação é fortalecer o próprio controle externo.

Fernando Martins é diretor de Comunicação Social do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP)

Mais recentes

Diretor Edilberto Pontes representa a Atricon em Congresso da ABDE, no Rio

Rede Integrar promove webinário para apresentação das propostas de ações do PAT 2027

Tribunais de Contas têm até 30 de outubro para aderir às ações da Rede Integrar

Atricon — Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Portaria 66/2026

Atricon — Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Portaria Conjunta Atricon – IRB nº 06/2026

Leia também

Dívida Pública: ponto preocupante que merece atenção dos Tribunais de Contas

Omar Pires Dias é conselheiro do TCE-RO

Waldir Pires, a COAPAJ e a dívida histórica da Bahia com o controle interno

Inaldo Araújo é presidente do Instituto Rui Barbosa (IRB)

Administração Pública: o elo mais frágil da licitação.

Marco Aurélio Bertaiolli é conselheiro do TCE-SP Robert Werner Koller é chefe de Gabinete do Conselheiro Marco Aurélio Bertaiolli, do TCE-SP