Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Agenda do Controle

Auditoria coordenada pelo TCU avalia Programa Nacional de Imunizações

O Tribunal de Contas da União (TCU) analisou, na sessão plenária desta quarta-feira (26/3), auditoria que avaliou o Programa Nacional de Imunizações (PNI). A fiscalização teve como objetivo medir a adesão dos estados e municípios aos sistemas de informação relacionados ao programa, além de avaliar a estrutura da Rede de Frio (RF), a gestão de estoques e o fornecimento de vacinas. O relator do processo foi o ministro Bruno Dantas.

Em parceria com outros 20 tribunais de contas do Brasil, a auditoria avaliou a gestão do PNI nos três níveis de governo em 2022 e 2023. A ação faz parte das atividades da Rede Integrar de Políticas Descentralizadas.

“O Programa Nacional de Imunizações, criado em 1973, é uma das mais relevantes políticas públicas de saúde do Brasil, responsável por erradicar e controlar doenças graves, protegendo milhões de vidas e consolidando o Brasil como referência internacional em políticas de vacinação. Sua efetividade, no entanto, depende de uma gestão integrada, da cooperação entre os entes federativos e da garantia de condições adequadas para a aplicação segura e oportuna das vacinas em todo o território nacional”, afirmou o ministro Bruno Dantas.

De 2016 a 2019, as coberturas vacinais (CV) para crianças de até dois anos de idade estiveram em queda, ficando abaixo das metas necessárias para proteção coletiva. Durante a pandemia de Covid-19, essa situação piorou e, apesar de um aumento nas CV em 2022 e 2023, os níveis ainda estavam abaixo dos de 2015. Em 2023, nenhuma das vacinas do calendário da criança — com exceção da BCG — alcançou a meta nacional de cobertura.

Durante a auditoria, realizada entre janeiro e novembro de 2024, inspeções e entrevistas foram feitas em 222 salas de vacinação e centrais de armazenamento de imunobiológicos sob gestão de municípios e estados. Coordenadores estaduais e municipais de imunização participaram ainda de pesquisas on-line. O total de recursos fiscalizados foi de R$ 3,4 bilhões, referentes à despesa liquidada da União com vacinação em 2023.

A fiscalização revelou que 37,1% das salas de vacinação utilizam o Sistema de Informações do PNI (SIPNI) para controlar a movimentação de vacinas, enquanto 17,9% utilizam o Sistema de Insumos Estratégicos em Saúde (SIES). Nas centrais municipais de armazenamento, o uso do SIES é mais comum, alcançando 76,1%. No entanto, inconsistências e lacunas de preenchimento de dados nos sistemas dificultam a gestão de perdas e estoques de vacinas.

Foi estimado que, em 2023, houve perda de 30 milhões de doses de vacinas por vencimento, equivalente a mais de R$ 413 milhões, representando 14,1% do orçamento liquidado pelo Ministério da Saúde para a compra de vacinas.

O desabastecimento de vacinas foi identificado pelos coordenadores municipais pesquisados como o terceiro maior obstáculo para alcançar as metas de cobertura vacinal, atrás da resistência ou recusa dos pais e responsáveis à vacinação e da falta de pessoal nas salas de vacinação. Problemas nos processos de aquisição de vacinas pelo Ministério da Saúde foram apontados como as principais causas de desabastecimento.

A auditoria também destacou a  necessidade de substituir geladeiras domésticas por câmaras  frias para armazenamento de vacinas e garantir a manutenção preventiva dos equipamentos, para evitar variações de temperatura que podem comprometer a eficácia das vacinas.

O TCU recomendou ao Ministério da Saúde que condicione a doação de equipamentos à contratação de sua manutenção e crie mecanismos de informação e retroalimentação entre os três níveis de governo sobre os resultados do microplanejamento. Outra recomendação é que o Ministério adote a avaliação de riscos nos processos de aquisição de vacinas e construa séries históricas sobre perdas de vacinas, estabelecendo critérios de perdas aceitáveis.

As recomendações buscam reduzir perdas e episódios de desabastecimento de vacinas, com efeitos na recuperação da cobertura vacinal. Estima-se que a melhoria de 10% na eficiência da gestão de perdas por vencimento pode representar economia anual de mais de R$ 40 milhões para o programa.

Fonte: TCU

Mais recentes

MMDi-TC avança para fase de validação prática após treinamento em Minas Gerais

TCE-SC atua de forma preventiva e orienta gestores municipais sobre contratações emergenciais

Lançamento de guia sobre contratações de publicidade integra programação do Congresso da ABCPública

Inep recebe solicitação de cronograma para execução de acordo sobre dados educacionais

Atricon — Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Portaria 65/2026

Leia também

MMDi-TC avança para fase de validação prática após treinamento em Minas Gerais

Encontro reuniu representantes dos Tribunais de Contas para testar a nova metodologia e preparar o início do projeto piloto, etapa decisiva para o ciclo de 2027

TCE-SC atua de forma preventiva e orienta gestores municipais sobre contratações emergenciais

A intenção é subsidiar os gestores públicos na tomada de decisões seguras e transparentes frente a cenários de risco. 

Lançamento de guia sobre contratações de publicidade integra programação do Congresso da ABCPública

Com 54 páginas, a publicação reúne orientações técnicas e recomendações para qualificar o planejamento, a execução, a fiscalização e a avaliação das campanhas publicitárias realizadas pelo setor público.