Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Agenda do Controle

De olho nas contas

Por Jonas Lopes de Carvalho Junior

A sociedade brasileira tem se deparado com frequentes denúncias de fraudes em processos licitatórios – assunto veiculado  incessantemente nas televisões, rádios e jornais de todo o país. Tal quadro, como mostrado nas reportagens, reforça, ainda mais, a importância e a necessidade de um controle externo rigoroso, independente e qualificado. Nesse sentido, a atuação dos tribunais de Contas é fundamental. Cabe aos tribunais analisar e julgar contas de gestores públicos de todo o país, tanto dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, em níveis municipal, estadual e federal, como do Ministério Público.

Durante o ano de 2011, o plenário do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro relatou 121.222 processos referentes a  prestações de Contas de Gestão 2010 do Poder Executivo do estado e dos 91 municípios sob jurisdição do TCE, alem de editais,
contratos, termos aditivos para obras e inexigibilidade de licitação, auditorias e inspeções, entre diversos outros assuntos.

Dos resultados obtidos, alguns merecem especial destaque, como a expedição de 1.904 acórdãos, que somaram R$ 20,6 milhões em multas e imputação de débitos a gestores por irregularidades, assim como a redução dos valores estimados em editais de licitações de jurisdicionados, o que, ano passado, gerou uma economia de quase R$ 100 milhões aos cofres públicos estaduais.

Os tribunais vêm se mostrando eficazes na prevenção de gastos, e não somente na aplicação de multas e imputação de débitos aos maus gestores. Ao fecharmos o balanço de nossas atividades no segundo trimestre deste ano, constatamos que o Corpo Instrutivo, composto pelos técnicos do tribunal, instruiu 30.424 processos, ou seja, quase 5 mil a mais do que no trimestre anterior.

Para se ter uma idéia da efetividade da atuação do TCE-RJ, só com processos referentes a editais de licitação que passaram por instruções da Subsecretaria de Obras e Serviços de Engenharia houve uma economia total de R$ 39,5 milhões aos cofres públicos. No
que se refere a editais de licitação de órgãos jurisdicionados que foram revogados no período, promoveu-se uma economia de R$ 39,2 milhões.

Foram julgados ilegais 241 processos, com imputação de débito e/ou aplicação de multas no valor total de R$ 977.198,40. Uma economia de mais de R$ 100 milhões aos cofres públicos, apenas com correções e adequações de editais de licitações a normas e
padrões exigidos pelo TCE fluminense. O reflexo imediato dessa atuação preventiva se faz presente na economia dos impostos pagos pelos cidadãos.

Embora não seja obrigatório apresentar os editais ao TCE-RJ, a medida permite ao gestor elaborar uma licitação dentro dos padrões de conformidade exigidos pelo tribunal. Um edital já submetido ao rigoroso crivo do corpo técnico do tribunal, e devidamente adequado, é passo importante para o bom andamento dos projetos sob sua responsabilidade.

* Jonas Lopes de Carvalho Junior é presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro.

Mais recentes

Iniciativas de Tribunais de Contas que utilizam dados climáticos serão reconhecidas no ClimateScanner Summit

Rede Integrar prorroga até 4 de novembro prazo para adesão às ações do PAT 2027

TCE-GO lança recurso de IA para simplificar decisões em linguagem simples

Seminário internacional aborda o papel das Instituições Superiores de Controle

TCE-PB identifica R$ 2,05 bilhões previstos nos orçamentos municipais para políticas voltadas à primeira infância

Leia também

O homem que imaginou o controle

Inaldo da Paixão Santos Araújo é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) e presidente do Instituto Rui Barbosa (IRB)

O exemplo de quem julga

José Wagner Praxedes é conselheiro do TCE-TO

Dívida Pública: ponto preocupante que merece atenção dos Tribunais de Contas

Omar Pires Dias é conselheiro do TCE-RO