Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Agenda do Controle

Mais uma década perdida

Por Edilberto C. Pontes Lima - Conselheiro do TCE-CE

Edilberto Carlos Pontes Lima, Vice-presidente do Tribunal de Contas do Estado do Ceará

A segunda década do Século XXI será mais uma década perdida para o Brasil. Ingressaremos em 2021 com o PIB per capita menor do que o de 2010. A pandemia apenas agravou o quadro, mas a ausência de crescimento na década já estava configurada. No século XX, isso só ocorreu na década entre 1981 e 1990, quando o PIB per capita caiu quase 4%.

Sem crescimento, o Brasil não consegue resolver seus graves problemas estruturais e vai sendo ultrapassado por outras nações. O grande desafio é ter um diagnóstico preciso de por que isso ocorre e o que pode ser feito para superar esse quadro.Construir consensos nesse campo não é simples. Um deles é que a educação brasileira é muito fraca, gerando muito analfabetos funcionais. Isso faz com que a força de trabalho tenha baixa produtividade, não conseguindo conviver satisfatoriamente com tecnologias que exigem grande capacidade para o uso pleno. Na área de informática, há muitos exemplos: softwares complexos, de grande poder, mas que exigem muita capacidade para operá-los e extrair o potencial pleno.

Mas só melhorar a educação não basta. Países com população altamente educada, mas que não conseguem gerar bons empregos acabam empurrando seus trabalhadores para a emigração, havendo farta demanda em outros países para pessoas qualificadas. É preciso, portanto, soltar outras correntes que impedem o crescimento. Há algumas pistas: infraestrutura deficiente, que para melhorar precisa de muitos investimentos. O setor público está endividado e o setor privado só ingressa com taxas de retorno satisfatórias e segurança jurídica. Este é um ponto particularmente relevante. Muitos governos caem na tentação de mudar as regras do jogo em plena execução contratual, em busca de vantagens de curto prazo ou de atender a demandas imediatas da população. O custo de perda de confiança e de credibilidade para futuros contratos é brutal.

É fundamental que às vésperas de 2021 o País consiga pelo menos ter um diagnóstico preciso sobre as causas de seu atraso e desenvolva estratégias consistentes para a superação. Caso contrário, os próximos dez anos também serão desperdiçados.

Mais recentes

Conselho Diretor do CNCE-CGIBS realiza primeiro encontro e define ações iniciais

Diretor Edilberto Pontes representa a Atricon em Congresso da ABDE, no Rio

Rede Integrar promove webinário para apresentação das propostas de ações do PAT 2027

Tribunais de Contas têm até 30 de outubro para aderir às ações da Rede Integrar

Atricon — Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Portaria 66/2026

Leia também

Dívida Pública: ponto preocupante que merece atenção dos Tribunais de Contas

Omar Pires Dias é conselheiro do TCE-RO

Waldir Pires, a COAPAJ e a dívida histórica da Bahia com o controle interno

Inaldo Araújo é presidente do Instituto Rui Barbosa (IRB)

Administração Pública: o elo mais frágil da licitação.

Marco Aurélio Bertaiolli é conselheiro do TCE-SP Robert Werner Koller é chefe de Gabinete do Conselheiro Marco Aurélio Bertaiolli, do TCE-SP