Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Agenda do Controle

Medindo a eficiência

Por Marco Peixoto

por Marco Peixoto* **

São tantos os casos de desvios de verbas públicas no Brasil que passamos a conviver com os escândalos como se eles fossem a regra entre os gestores e como se o problema fosse igualmente grave em todos os Estados. De fato, quando tratamos da corrupção, há que reconhecer a gravidade e a extensão do problema, identificando, também, um substrato cultural que faz com que muitos ignorem os deveres da cidadania e burlem normas elementares de convívio social. Nesse quadro, entretanto, entendo que a realidade do Rio Grande se diferencia positivamente e que temos uma incidência muito menor de casos de corrupção. Conclusão bairrista? Penso que não e que estudos comparativos encontrariam evidências em amparo a essa percepção.

A par das hipóteses capazes de situar a provável maior adesão dos gaúchos às normas legais, sustento que o trabalho do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) tem cumprido um papel destacado na regulação da gestão pública. Trato, aqui, do chamado “efeito presença” da Corte de Contas no acompanhamento sistemático que realiza sobre as gestões de 1.260 órgãos públicos. Não fosse a ação do controle externo, a realidade da gestão pública no RS seria completamente diferente.

Nosso maior desafio segue sendo o de medir a qualidade do gasto público. Para além do controle da legalidade, essencial para que não se abram veredas aos maus gestores, o TCE-RS se prepara para avaliar os resultados das políticas públicas no RS. A partir de 2017, trabalhemos com o Índice de Efetividade da Gestão Municipal (IEGM), desenvolvido pioneiramente pelo Tribunal de Contas de São Paulo, o que permitirá avaliar as ações dos gestores em sete áreas: Educação, Saúde, Planejamento, Gestão Fiscal, Meio Ambiente, Proteção dos Cidadãos e Governança da Tecnologia da Informação. O impacto desse trabalho irá qualificar não apenas a gestão pública, beneficiando diretamente a cidadania, mas também o debate político no RS; oferecendo a todos, para além das ideologias e paixões partidárias, referências objetivas sobre o desempenho dos governos.

*Marco Peixoto é conselheiro-presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul
** Artigo originalmente publicado no Jornal Zero Hora (disponível em http://goo.gl/aEw3hQ) 

Mais recentes

Diretor Edilberto Pontes representa a Atricon em Congresso da ABDE, no Rio

Rede Integrar promove webinário para apresentação das propostas de ações do PAT 2027

Tribunais de Contas têm até 30 de outubro para aderir às ações da Rede Integrar

Atricon — Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Portaria 66/2026

Atricon — Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Portaria Conjunta Atricon – IRB nº 06/2026

Leia também

Dívida Pública: ponto preocupante que merece atenção dos Tribunais de Contas

Omar Pires Dias é conselheiro do TCE-RO

Waldir Pires, a COAPAJ e a dívida histórica da Bahia com o controle interno

Inaldo Araújo é presidente do Instituto Rui Barbosa (IRB)

Administração Pública: o elo mais frágil da licitação.

Marco Aurélio Bertaiolli é conselheiro do TCE-SP Robert Werner Koller é chefe de Gabinete do Conselheiro Marco Aurélio Bertaiolli, do TCE-SP