Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Agenda do Controle

TCE-RN anuncia monitoramento de resultado de auditoria na saúde durante “Sexta de Contas”

Na semana em que o Governo do Estado do Rio Grande do Norte anunciou o pedido de calamidade pública na área de saúde, o TCE-RN informou que iniciará, nos próximos dias, o monitoramento do cumprimento das resoluções estabelecidas nos relatórios de auditoria operacional realizadas pela Corte de Contas.  A informação foi dada pela secretaria de controle externo do TCE, Anne Carvalho, durante a realização de mais uma edição do projeto “Sexta de Contas”, que debateu o tema “Saúde Pública: problemas e soluções”.

Realizado pela Ouvidoria do TCE a cada dois meses, o projeto objetiva proporcionar a apresentação e o debate de temas estratégicos para a sociedade, estimulando assim o controle social. “É uma tentativa de compreender o panorama da saúde na atualidade, e os grandes desafios que apresenta”, ressaltou o conselheiro ouvidor Renato Costa Dias, na abertura do evento. “A questão da saúde é gritante, diz respeito a cada um de nós”, destacou o diretor da escola de Contas, conselheiro Paulo Alves Chaves Alves.

O tema foi apresentado em painéis diferenciados, com abordagens que se complementavam. A diretora do Instituto de Medicina Tropical do RN, Selma Jerônimo falou sobre a “Contribuição da UFRN ao Estudo das Doenças Antigas e Emergentes do Mundo Urbanizado”, seguido pela palestra “Financiamento da Saúde Pública”, a cargo do procurador geral do Ministério público junto ao TCE, Ricart César Coelho e “Contribuição do Controle Externo para o Setor de Saúde Pública”, sob a responsabilidade de Anne Carvalho.

Professora da UFRN com pós-doutorado nos Estados Unidos, Selma Jerônimo destacou o caráter complexo da saúde, apresentando indicadores como o da hanseníase, uma doença citada na Bíblia e que ainda persiste no Brasil – por ano, são registrados 29 mil casos, sendo o segundo país no mundo em número de casos, perdendo apenas para a Índia. No Rio Grande do Norte, de 2001 a 2015, foram diagnosticados 338 casos, muitos dos quais na região de Mossoró. “Trata-se ainda de um problema de saúde pública. Mas não é suficiente ter a cura, é preciso ter atitudes”, relatou, lembrando que muitos pacientes não procuram atendimento médico em decorrência do estigma que a doença carrega.

Mesmo com este cenário que mostra uma doença que persiste, quando já foi eliminada em vários países, como um símbolo do que acontece com relação a saúde pública no país, Selma lembrou que na década de 30 a expectativa de vida era de 40 anos, e hoje é de 70 anos; da mesma forma, a mortalidade infantil atingia quase 50% das crianças e foi reduzida para 15 em cada mil nascidos vivos, ou seja, houve avanços significativos. “O País é muito heterogêneo”, disse, lembrando ainda de pesquisas que demonstram que o “conhecimento” adquirido pela população colabora muito no combate as doenças. “Além de fatores condicionantes ou determinantes do processo de saúde, a incidência de doenças pode ser controlada  através de ações de vigilância e intervenções sanitaristas”, complementou.

O procurador geral do MPC, Ricart César Coelho foi enfático na sua abordagem, “Sem financiamento o direito não sai do papel”, relatou, lembrando que o investimento em saúde no Brasil é pequeno, se comparado com outros países, como na França, na Europa, ou no Uruguai, aqui na América do Sul. Autor do livro “Financiamento da Saúde Pública no Brasil”, apoia-se nas ideias do economista indiano Amatya Sen, para defender  o que denominou de “gasto social”, investimento que pode ser feito para promover o desenvolvimento humano e o crescimento econômico.

Finalizando as apresentações, a secretária de controle externo, Anne Carvalho, apresentou os resultados das avaliações realizadas pela Corte de Contas em auditorias operacionais e coordenadas, uma ação que vem sendo executada por tribunais de contas de todo o país. O trabalho diagnosticou uma série de problemas, desde a falta de planos de ação até a inadequação de perfis profissionais, resultando numa série de recomendações aos gestores públicos. Agora, decorrido um tempo, os técnicos do TCE vão retomar as unidades de saúde para averiguar o que foi feito, se os problemas observados foram solucionados,

Anne também informou que nas próximas semanas será lançada mais uma pesquisa, agora abordando a questão da Governança no setor. “Observamos que em 54% dos municípios pesquisados a governança, que remete a liderança, controle e definição de estratégias, ainda está em fase inicial”, adiantou. Para ela, falta a profissionalização do setor, além do debate sério da questão, “esta deve ser uma discussão na sociedade”, defendeu.

Mais recentes

Diretor Edilberto Pontes representa a Atricon em Congresso da ABDE, no Rio

Rede Integrar promove webinário para apresentação das propostas de ações do PAT 2027

Tribunais de Contas têm até 30 de outubro para aderir às ações da Rede Integrar

Atricon — Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Portaria 66/2026

Atricon — Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Portaria Conjunta Atricon – IRB nº 06/2026

Leia também

Diretor Edilberto Pontes representa a Atricon em Congresso da ABDE, no Rio

Na ocasião, Edilberto Pontes participou do painel 2, com o tema “Qual o papel dos Tribunais de Contas nas finanças dos entes federativos?”, atividade que teve mediação de Bradson Camelo, subprocurador-geral do MP de Contas da Paraíba e ex-presidente da ABDE, e de Vanessa Reis, procuradora do Estado do Rio de Janeiro.

Do curral à escola digna: atuação do TCE-AC transforma a realidade de crianças na educação

Na comunidade Limoeiro, no Bujari, fiscalização, cobrança de providências e acompanhamento das soluções foram determinantes para assegurar condições dignas de aprendizagem e abrir caminhos para o futuro dos estudantes.

Diretor Cezar Colares representa a Atricon no V Ciclo Formativo de Letramento Racial do TCE-PA

Realizado sob a organização da Escola de Contas Alberto Veloso (Ecav) do TCE-PA, o V Ciclo Formativo prestou homenagem à professora Zélia Amador de Deus, reconhecida pela atuação na luta antirracista e que faleceu este ano.