Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Agenda do Controle

Corrupção, não!

Joaquim de Castro

Corrupção vem do latim corruptus, que significa viciado, falsificado, estragado, seduzido, subornado.

Na Bíblia, a corrupção é apresentada como o estado de decadência e contaminação do homem, resultante do pecado.

Para a filosofia (pensamentos de Immanuel Kant e John Stuart Mill), corrupção é uma forma de violência moral que mina a base ética da sociedade; é o gemido agônico de democracias.
Entre significados e conceitos, a verdade é que a corrupção é um monstro que espalha seus tentáculos pelo mundo afora.

Segundo estudos da Organização das Nações Unidas (ONU), mais de U$ 3 trilhões são retirados, anualmente, da economia mundial em esquemas de suborno e corrupção.

No Brasil, conforme projeção da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), até 2,3% de nosso Produto Interno Bruto (PIB) são perdidos, todo ano, com práticas corruptas, ou seja, cerca de R$100 bilhões.

São valores impactantes, que sangram dos recursos que deveriam ser destinados ao atendimento dos direitos sociais fundamentais como saúde, educação, trabalho, moradia, assistência social e segurança. Com essa sangria, a quantas pessoas esses direitos são negados ou precarizados?

No Índice de Percepção de Corrupção 2023 (IPC) da Transparência Internacional, que ordena os países do mundo de acordo com o grau em que é percebida a existência da corrupção entre os servidores públicos e políticos, o Brasil ocupa o 79º lugar (de 176 países pesquisados). Ocupam os primeiros lugares a Dinamarca, a Finlândia e a Nova Zelândia.

Neste 9 de dezembro, celebra-se o Dia Internacional contra a Corrupção, cujo objetivo é sensibilizar para o combate e para a prevenção desse mal. Essa celebração procura realçar a ligação entre a luta contra a corrupção e a paz, a segurança e o desenvolvimento.

Para nós do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás (TCM-GO), é um precioso momento para refletir sobre a parte que cabe aos Tribunais de Contas na prevenção e no combate à corrupção.

Esses órgãos de fiscalização e controle, integrados ao Programa Nacional de Prevenção à Corrupção (PNPC), têm papel relevante, essencial nessa batalha, atuando com medidas preventivas para fortalecer a governança e promover a integridade na administração pública.

Assim como os demais tribunais, o TCM de Goiás é participante da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA), que visa à articulação e à atuação conjunta entre órgãos e entidades, públicos e privados, que trabalham com a fiscalização, o controle e a inteligência como forma de aperfeiçoar o combate à corrupção.

O TCMGO tem investido na modernização e na tecnologia, com o uso de robôs e da Inteligência Artificial para otimizar suas atividades e fortalecer os mecanismos de controle e fiscalização.

Com esse trabalho, são evitados desvios e irregularidades nos órgãos jurisdicionados, contribuindo para a prevenção da corrupção e para a eficiência no uso dos recursos públicos.

Nesta data que chama a atenção para o combate à corrupção, o TCMGO lembra da importância das ouvidorias públicas no processo de incentivo ao controle social. A ouvidoria é o canal que facilita a participação dos cidadãos na cruzada contra a corrupção. Por isso, o tribunal está sempre na escuta das manifestações da sociedade por intermédio de sua ouvidoria.

Combater o crime da corrupção é o direito e a responsabilidade de tribunais de contas e de cada um, mas só por meio da cooperação e do envolvimento das pessoas e das instituições, é que poderemos avançar e lograr êxito nessa luta que é de todos.

Joaquim de Castro é presidente do TCM-GO e vice-presidente da Atricon

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