Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Agenda do Controle

Nova ferramenta para estabilizar a economia brasileira

Edilberto Pontes

Em tempos de incerteza econômica, é crucial repensar as ferramentas disponíveis para estabilizar a economia brasileira. Tradicionalmente, o Brasil tem sobrecarregado a política monetária, elevando a taxa de juros a patamares estratosféricos, com todos os elevados custos envolvidos e com pouca contribuição das políticas fiscais, que, quando atuam, se restringem ao limitado campo das medidas discricionárias.

Uma proposta inovadora, inspirada em estudos recentes liderados pelo Professor Blanchard, do MIT, sugere a implementação de estabilizadores fiscais quase automáticos. Esses mecanismos seriam ativados automaticamente com base em indicadores econômicos, como o desemprego ou o crescimento do PIB, ajustando impostos ou gastos públicos sem a necessidade de novas decisões políticas.

Um exemplo prático seria a variação temporária da alíquota do Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Em períodos de recessão, a alíquota poderia ser reduzida automaticamente, incentivando o consumo e estimulando a economia. Quando a economia se recuperasse, a alíquota retornaria ao seu nível original, ajudando a conter a inflação e a equilibrar as contas públicas.

Para o Brasil, que está em processo de reforma tributária visando a implementação de um IVA nacional, essa abordagem oferece uma oportunidade única. Com a digitalização fiscal e a ampla base de consumidores, é tecnicamente viável adotar tais mecanismos. Além disso, essa estratégia poderia aumentar a eficácia da política fiscal, proporcionando respostas mais rápidas e eficientes às flutuações econômicas.

Adotar estabilizadores fiscais quase automáticos exigiria um desenho institucional cuidadoso, garantindo transparência, previsibilidade e responsabilidade fiscal. No entanto, os benefícios potenciais – maior estabilidade econômica, resposta ágil a crises e fortalecimento da confiança dos agentes econômicos – tornam essa proposta digna de consideração séria pelos formuladores de políticas brasileiras.

Em um mundo cada vez mais volátil, inovar na política fiscal pode ser a chave para um futuro econômico mais estável e próspero para o Brasil.

Edilberto Pontes é presidente do Instituto Rui Barbosa (IRB) e conselheiro corregedor do Tribunal de Contas do Estado do Ceará (TCE Ceará)

Mais recentes

34 anos de Atricon: comemorações contam com inauguração da nova sede e referência de desenvolvimento para sociedade

Atricon reforça compromisso com a primeira infância durante o III ENAPI

Sessão Solene na Câmara dos Deputados celebra os 34 anos da Atricon

34 anos de Atricon: nova sede amplia a capacidade de atendimento ao Sistema Tribunais de Contas

TCE-BA é o primeiro Tribunal de Contas do país a instituir Processo Estrutural de Controle

Leia também
Atricon — Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Atricon, 34 anos: de uma reunião em Caldas Novas a uma entidade sem fronteiras

Em 26 de agosto de 1992, durante a 27ª Reunião do Conselho Dirigente do Centro de Coordenação dos Tribunais de Contas do Brasil, promovida pelo TCE de Goiás…
Atricon — Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

34 anos de Atricon: uma trajetória a serviço da boa aplicação do dinheiro público

Neste mês de agosto, a Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil - Atricon completa 34 anos de existência. São três décadas de uma trajetória que…
Atricon — Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Atricon, 34 anos fortalecendo a unidade do Sistema Tribunais de Contas

Completar 34 anos é mais do que celebrar uma trajetória. É reconhecer a importância de uma instituição que, ao longo de mais de três décadas, ajudou a construir…