Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Agenda do Controle

Apoio às microempresas

Por LUIZ HENRIQUE LIMA

Embora possa ser surpreendente para alguns, os Tribunais de Contas têm um importante papel no estímulo ao desenvolvimento econômico e à geração de empregos. Na próxima semana em Brasília ocorrerá o Encontro Tribunais de Contas e Desenvolvimento Econômico, organizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas Sebrae e pela  Associação Nacional dos Membros dos Tribunais de Contas ATRICON, da qual sou dirigente e que é presidida pelo conselheiro matogrossense Antonio Joaquim.

A Lei Complementar no 123/2005, conhecida como Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, previu importantes medidas de estímulo à economia dos municípios de menor porte, especialmente com o tratamento diferenciado e favorecido às micro e pequenas empresas.

As micro e pequenas empresas constituem 99% das empresas constituídas no Brasil, empregam mais de 51% da força de trabalho urbana no setor privado e são responsáveis por mais de 25% do Produto Interno Bruto. No entanto, historicamente, enfrentam maiores dificuldades no acesso ao crédito e aos mercados. Por sua vez, na grande maioria dos municípios brasileiros as prefeituras são os principais agentes econômicos: os maiores empregadores e os maiores compradores.

A Lei Geral da Micro e Pequena Empresa estabeleceu regras específicas para as compras  governamentais, no intuito de estimular a presença dos pequenos fornecedores locais. Entre as inovações destacam-se a simplificação de exigência de documentos, a preferência em caso de empate na classificação, a possibilidade de certames exclusivos nas aquisições até R$ 80 mil, a possibilidade de cotas exclusivas e a de subcontratação.

Em grande parte devido à atuação proativa do TCE-MT na gestão do Conselheiro Valter Albano, Mato Grosso foi o primeiro estado brasileiro no qual 100% dos municípios regulamentaram a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa. Para isso, desde 2010 o TCE-MT participou de dezenas de eventos em todas as regiões do estado orientando os gestores sobre a importância da lei e as formas de assegurar o seu cumprimento e o alcance de seus objetivos. Em todos esses eventos o TCE-MT foi representado por seus membros, conselheiros, conselheiros substitutos e procuradores de Contas, o que afirmou a prioridade que o tema alcançou.

Certamente há muito que fazer para atingirmos o potencial desejado. Com um maior acesso das micro e pequenas empresas ao mercado das compras governamentais, espera-se não apenas a diversificação dos fornecedores, mas também a redução de custos para o poder público, o estímulo à inovação e à melhoria de qualidade dos produtos e serviços locais, a geração de empregos mais qualificados e numerosos efeitos virtuosos para o desenvolvimento econômico regional.

A parceria entre o Sebrae e os Tribunais de Contas poderá gerar efeitos positivos em duas direções: ampliando a eficiência e a economicidade na gestão pública e assegurando maior participação das micro e pequenas empresas no mercado de compras governamentais.

O momento também é oportuno, pois em todo o Brasil prefeitos e vereadores eleitos estão se preparando para assumir os mandatos que conquistaram e devem colocar o tema em seu planejamento estratégico.

Neste caso, os Tribunais de Contas, ao orientar, esclarecer e estimular os seus gestores jurisdicionados, dão uma importante contribuição para o desenvolvimento econômico e a geração de empregos.

LUIZ HENRIQUE LIMA

Conselheiro Substituto do TCE-MT

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