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Agenda do Controle

III CNCTC: painel discute desafios e possibilidades da IA na comunicação pública

“Seja o humano no circuito. Sempre revise o processo. São ferramentas que não são totalmente confiáveis.” A recomendação do jornalista da TV Globo, Ben-Hur Correia, foi um dos principais alertas do painel “O uso da Inteligência Artificial na análise de dados de comunicação”, realizado na tarde desta quarta-feira (6), durante a programação do III Congresso Nacional de Comunicação dos Tribunais de Contas, no Rio de Janeiro.

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Ao lado de Ben-Hur, participou do debate o pesquisador associado do NetLab/UFRJ, Márcio Borges. A mediação foi feita pela conselheira-substituta do TCE-PA e presidente da Audicon, Milene Dias Cunha, que destacou o cenário atual de velocidade e abundância de informações. “A IA é uma ferramenta estratégica do futuro, capaz de traduzir pensamentos e tornar a tomada de decisões mais eficiente e assertiva”, afirmou.

Ben-Hur compartilhou dados sobre o uso da IA no Brasil e ressaltou que a maioria das pessoas utiliza essas ferramentas para fins pessoais, como encontrar propósito, realizar pesquisas, trabalhar e se comunicar. Ele explicou o funcionamento dos modelos de linguagem natural — que completam frases com base em padrões de texto — e defendeu o uso consciente e crítico dessas tecnologias: “Trate a IA como uma pessoa com personalidade. E parta do princípio de que esta é a pior versão possível. Só assim evoluímos. Não podemos nos acostumar.”

O jornalista também apresentou técnicas para criação de prompts avançados, com base na decomposição de problemas e na simulação de times especializados — em que diferentes ‘personas’ geradas pela IA se questionam e se aprimoram entre si. “É preciso definir o papel, o contexto, revisar e refinar. Dar tempo para o modelo pensar.”

Márcio Borges, por sua vez, chamou atenção para os riscos da chamada “economia da indução”. Segundo ele, o uso massivo de dados por plataformas digitais tem nos levado a um estágio em que os algoritmos nos programam — e não o contrário. “Não sou eu quem seleciona a notícia, é a notícia que me seleciona. Essa inversão de paradigma é muito séria para a comunicação.”

O pesquisador explicou que a IA atual é baseada em probabilidades, descartando o que não é previsível — ao contrário da inteligência humana, que assume riscos, inclusive de vida, ao tomar decisões. Ele defendeu a integração entre as ciências sociais e a tecnologia como forma de mitigar vieses, garantir transparência e preservar a autonomia humana nos processos automatizados.

O painel foi encerrado com uma reflexão da mediadora Milene Dias da Cunha, presidente da Audicon e secretária-geral da Atricon, que agradeceu pelas provocações dos convidados e destacou três desafios centrais no uso da IA na comunicação pública: os limites éticos, a confiabilidade dos sistemas e a transparência nos processos de tomada de decisão. “A apresentação foi valiosa porque nos deixou mais perguntas do que respostas. E é aí que mora a riqueza do conhecimento.”

III CNCTC

O III Congresso Nacional de Comunicação dos Tribunais de Contas (CNCTC) acontece até quinta-feira (7), no Ribalta, espaço multieventos localizado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, com o tema central “Estratégia, inovação e diálogo com a sociedade”. O encontro reúne comunicadores, especialistas, acadêmicos, servidores e membros dos Tribunais de Contas de todo o país para debater os desafios contemporâneos da comunicação institucional no controle externo.

O evento é uma realização conjunta da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro (TCMRio) e Instituto Rui Barbosa (IRB), e conta com o apoio institucional do Conselho Nacional de Presidentes dos Tribunais de Contas (CNPTC), da Associação Brasileira dos Tribunais de Contas dos Municípios (Abracom) e da Associação Nacional dos Ministros e Conselheiros Substitutos dos Tribunais de Contas (Audicon) e patrocínio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Águas do Rio, Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) e Centro Industrial do Rio de Janeiro (CIRJ) e Multiplan.

Texto: Lyniker Passos/TCM-GO
Foto:  Cybelle Nascimento / InterEventos
Edição: Joyce Murasaki /TCM-SP

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