Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Agenda do Controle

Teresa Duere participa, em Brasília, de seminário sobre Previdência Própria

Teresa Duere (direita), ao lado do ministro Garibaldi Alves, do conselheiro Waldir Teis (TCE-MT) e do presidente da Atricon, conselheiro Antonio Joaquim (esquerda)

A presidente do Tribunal de Contas de Pernambuco, conselheira Teresa Duere, assinou em Brasília na última quinta-feira (09) um termo de cooperação técnica com o Ministério da Previdência e o Conselho Federal de Contabilidade para capacitar os responsáveis pelos Fundos Próprios nas novas Normas de Contabilidade aplicadas ao setor público. Os conselheiros Valdecir Pascoal e Marcos Loreto, além do diretor do Núcleo de Atos de Pessoal do TCE-PE, Marconi Karley, também compareceram à solenidade, que foi realizada no auditório do Conselho Federal de Contabilidade e reuniu o ministro da Previdência, Garibaldi Alves, o presidente da Atricon (Associação dos Tribunais de Contas), conselheiro Antonio Joaquim (MT), o presidente do CFC, Juarez Domingos Carneiro e assessores do Ministério da Previdência e da Secretaria do Tesouro Nacional.

PARCERIA – Para o presidente da Atricon, conselheiro Antonio Joaquim, a assinatura do convênio representou “a primeira parceria concreta” entre o governo federal e os Tribunais de Contas para enfrentar os problemas da Previdência Social, que são graves, especialmente nos Fundos Próprios administrados por Estados e Municípios.

No caso de Pernambuco, disse na ocasião Teresa Duere, existe uma “bomba relógio de efeito retardado” esperando para “explodir” nos Fundos Próprios, administrados pelos municípios, pois apenas 3% deles são superavitários. A presidente do TCE entregou um relatório ao ministro Garibaldi Alves sobre a situação em que se encontram os Fundos Próprios de 143 dos 184 municípios pernambucanos, advertindo o Ministério da Previdência para a “gravidade da situação”.

Segundo ela, é preciso encarar esse problema com mais responsabilidade, pois o que tem sido feito até agora só faz agravar a situação: “Nós, dos Tribunais de Contas”, disse a conselheira, “temos a atribuição legal de fiscalizar esses Fundos e geralmente rejeitamos contas de Municípios por causa deles. Mas aí vem o Ministério e parcela o débito de prefeituras em até 240 meses. É a solução deixar 20 anos de dívidas para o sucessor pagar?”, questionou. Ela frisou, em seguida, que o parcelamento de dívidas previdenciárias em até 240 meses “desautoriza todo o trabalho pedagógico que os Tribunais de Contas fazem” no sentido de conscientizar os prefeitos a zelarem pelos fundos próprios.

Antes, o presidente da Atricon havia frisado que sem a colaboração dos Tribunais de Contas o problema do déficit nos Fundos Próprios jamais será solucionado. Essa parceria vale também, segundo ele, para a aplicação em nível municipal e estadual das novas Normas de Contabilidade aplicadas ao setor público, pois são os Tribunais de Contas que dispõem de ferramenta técnica para fazer esta capacitação.

A SUSTENTABILIDADE – Ao discursar, em seguida, o ministro Garibaldi Alves declarou que o convênio ali assinado “vai de encontro às aspirações do povo brasileiro, pois os estados e os municípios precisam ter o seu próprio Fundo de Previdência”. Segundo ele, o regime próprio já conta com a adesão de cerca de dois mil municípios brasileiros e, diferentemente do que muita gente pode achar, “isso não significa que a União esteja fugindo de suas responsabilidades e sim que o governo federal está torcendo para que esses fundos se consolidem “de maneira sustentável”.

Ao questioná-lo sobre essa “sustentabilidade”, a presidente do TCE disse não ser contra a instituição dos fundos próprios, desde que eles comprovem a sua sustentabilidade por meio de um verdadeiro “cálculo atuarial”, algo que não é feito hoje, pelo menos no Estado de Pernambuco.

Essa é uma questão tão relevante, disse a conselheira, que sem o “Certificado de Regularidade Previdenciária”, emitido pelo Ministério, o município fica impedido de receber transferências voluntárias da União. O ministro agradeceu o diagnóstico feito pela conselheira e prometeu mandar estudá-lo imediatamente.

Também prestigiaram este evento o presidente do TCU, Augusto Nardes, o subsecretário da Secretaria do Tesouro Nacional, Gilvan Dantas e 42 conselheiros de diversos Tribunais de Contas do Brasil.

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