Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil

Agenda do Controle

Promulgação da EC da Essencialidade dos Tribunais de Contas: um marco histórico para a democracia

Joaquim de Castro

O dia 5 de maio de 2026 entra para a história como a data da consagração do Sistema Tribunais de Contas no Brasil.

A promulgação da Emenda Constitucional 139/2026 (aprovada na Câmara dos Deputados em novembro do ano passado), carinhosamente e com razão, conhecida por EC da Essencialidade, tornou todos os Tribunais de Contas (TC’s) brasileiros (33), entre os quais, o TCM de Goiás, instituições permanentes e essenciais ao controle externo. Esta conquista representa uma inestimável vitória não apenas para as instituições, mas para a sociedade brasileira, simbolizando um avanço estrutural na valorização e na garantia da boa governança.

A nova emenda constitucional consolida a estabilidade e o status constitucional desses órgãos, blindando-os contra tentativas locais de extinção ou enfraquecimento funcional. Ao definir os TC’s como essenciais, a Constituição Federal passa a vedar expressamente a extinção desses órgãos, garantindo que o controle externo seja perene, técnico e independente.

A EC da Essencialidade protege o interesse público ao assegurar a autonomia funcional e administrativa dos tribunais. Com isso, reconhece-se o papel fundamental dos membros e servidores na proteção do patrimônio público.

Mais do que punir, o compromisso dos Tribunais de Contas com a aprovação e promulgação dessa EC é consolidar uma atuação preventiva. O objetivo é, cada vez mais, chegar antes do desperdício do dinheiro público, protegendo recursos destinados à educação, saúde e segurança antes que eles sejam mal aplicados.

A promulgação, em sessão no plenário do Senado Federal, é a coroação de uma luta triunfante, fruto de uma intensa mobilização coletiva. O Sistema Tribunais de Contas, articulado pela Atricon (Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil), demonstrou força, união e compromisso com o país. Destaca-se a liderança incansável do presidente da Atricon, conselheiro Edilson Silva (TCE-RO), e o empenho de lideranças do controle externo de todo o Brasil, incluindo os conselheiros, procuradores de Contas e auditores do TCMGO, que atuaram como verdadeiros gigantes na garantia desse marco democrático.

A proteção legal consolida o entendimento de que a fiscalização é inegociável para a democracia.

A estrutura técnica, que equilibra conhecimento especializado com experiência prática em gestão pública, torna-se ainda mais robusta para prevenir falhas e desvios, orientar a administração pública focando na melhoria dos processos de licitação e execução orçamentária e garantir que decisões técnicas não sejam subvertidas por pressões externas.

A partir de hoje, 5 de maio de 2026, os Tribunais de Contas estão mais fortes, e o controle externo, mais eficiente.

Joaquim de Castro é presidente do TCM-GO e vice-presidente Executivo da Atricon

* Artigo publicado originalmente no portal A Redação, no dia 5 de maio de 2026

Mais recentes

TCE-BA é o primeiro Tribunal de Contas do país a instituir Processo Estrutural de Controle

Atricon participa de homenagem ao ministro Jorge Messias durante evento em Teresina (PI)

X ENTC lança edital para apresentação de iniciativas em oficinas

Ministro Alexandre de Moraes é homenageado durante Congresso no TCM-SP

Selecionados mais quatro auditores de TCs para o Conselho de Auditores da ONU

Leia também

Primeira infância: o futuro se constrói no presente

Alberto Sevilha é presidente do TCE-TO e Severiano Costandrade é conselheiro coordenador-geral do programa TCE de Olho no Futuro

O Brasil entre os juros e a desigualdade

João Antonio da Silva Filho é conselheiro do TCM-SP

Juscelino Kubitschek: o Brasil que acreditava no futuro

Sebastião Helvecio Hoje, no aniversário da morte de Juscelino Kubitschek, presto minha homenagem àquele que considero um dos maiores políticos brasileiros. Há algumas identificações pessoais que tornam essa homenagem ainda mais especial: JK era mineiro e médico, como eu. E há uma pequena coincidência que sempre me encanta: Juscelino nasceu em 1902, o mesmo ano