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Agenda do Controle

II ENIATC: Especialista afirma que a IA tem promovido a “migração de mundos”

Marcilio Lana (TCE-MG)

A inteligência artificial (IA) é, segundo a pesquisadora e escritora Dora Kaufman, docente no Programa de Tecnologias da Inteligência e Design Digital da PUC-SP e professora convidada na Fundação Dom Cabral, uma inovação capaz de alterar a lógica do mundo, a exemplo do que aconteceu após a invenção da máquina a vapor, da eletricidade e da computação. São, de acordo com a pesquisadora, Tecnologias de Propósito Geral (TPG) — em inglês, General-Purpose Technology (GPT), tão versáteis e poderosas que têm o potencial de transformar profundamente toda uma economia e a estrutura da sociedade.

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Kaufman sinaliza para o que está em jogo. Segundo a pesquisadora e professora da PUC-SP, trata-se de uma mudança de modelo: anteriormente, era baseado em sistemas estatísticos tradicionais e agora são probabilísticos, que mobilizam bancos de dados robustos (Big Data) e operam em uma perspectiva na qual é difícil definir a veracidade das informações. “O nível de complexidade é maior, os riscos maiores, o volume de dados cresce e, ao mesmo tempo, ainda trabalhamos com probabilidades”, sentenciou.

“Nos sistemas determinísticos tradicionais, cada etapa é predefinida e o resultado é, em princípio, previsível. Com a inteligência artificial, esse paradigma se rompe. Em vez de uma resposta definitiva e unívoca, a IA fornece distribuições de probabilidade sobre os resultados. É uma migração de mundos”, defende.

A pesquisadora entende que a introdução da IA está alterando a forma como as decisões estão sendo tomadas. “Como as decisões são, conscientemente, tomadas?”, provoca. Normalmente, complementa Kaufman, “buscamos informação para teoricamente reduzir as margens de erro. Mas, atualmente, essa tarefa deixou de ser como fazíamos. O volume de dados em uma sociedade hiperconectada é imenso”, explica. Kaufman argumenta que o caráter estratégico da IA na sociedade contemporânea está exatamente no fato de o volume de dados gerados não poder ser manipulado como no passado. “Por isso, a inteligência artificial é estratégica”, defende.

Dora Kaufman participa do II Encontro Nacional de Inteligência Artificial dos Tribunais de Contas (II ENIATC), em Belo Horizonte, e apresentou nesta segunda-feira (30), o painel “Tribunais de Contas Orientados por Dados: do modelo fiscalizatório ao controle externo preventivo”.

Letramento

A pesquisadora ainda destacou ser preciso investir em letramento em IA. “Não se trata de uma habilidade opcional para o futuro, mas uma necessidade imediata do presente”, afirmou.

Atualmente, cerca de 50 milhões de brasileiros (32% da população com internet) utilizam IA generativa, mas o uso está concentrado nas classes mais ricas e com ensino superior. O Brasil apresenta um dos mais baixos índices em competências digitais na América Latina, ficando abaixo da média da OCDE em habilidades básicas e avançadas, o que reflete a lacuna de letramento tecnológico.

Nas empresas, a adoção cresceu significativamente: o percentual de uso de IA em indústrias subiu de 16,9% em 2022 para 41,9% em 2024. No entanto, Kaufman ressalta que muitas organizações ainda estão em fases iniciais, utilizando soluções pontuais.

II ENIATC

O II ENIATC, uma realização da Atricon, do TCE-MG e do IRB, reúne membros e servidores dos Tribunais de Contas, gestores públicos, pesquisadores, especialistas, doutrinadores, representantes da iniciativa privada, profissionais das áreas de tecnologia, dados e inovação, estudantes e convidados de todo o país.

O evento conta com o patrocínio da Prefeitura de Nova Lima (MG), da Copasa, vinculada ao Governo do Estado de Minas Gerais, da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG/SENAR), da TechBiz Forense Digital, da PD Case, da Brasec, e da Microsoft, em parceria com BlueShift. Além disso, tem o apoio do Sebrae, da Codemge e do Senac, vinculado à Fecomércio de Minas Gerais.

O apoio institucional é feito pelo Conselho Nacional de Presidentes dos Tribunais de Contas, da Abracom, da Asus, da Audicon, da Ampcon, da ANTC, do Ibraop, do TCE-BA, do TCE-MT, do TCE-GO, do TCE-RO, do TCE-RJ, do TCMRio, do TCE-RS e da ContrataBrasil, vinculada à Rede de Parcerias, ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos e ao Governo do Brasil.

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